A herança maldita do ‘Lula 3’ e os desafios para o próximo governo

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A jornalista Miriam Leitão afirmou que a população está com a ‘sensação’ de que os preços continuam altos. Mas a dura realidade é que, no final do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, o povo brasileiro vê (não apenas sente...) que o prato está mais vazio.

E não para por aí, o Brasil está mais endividado, mais tributado e com desafios estruturais profundos. A dívida pública consolidada do setor público atingiu 81,9% do PIB em junho de 2026 — alta de mais de 10 pontos percentuais desde o final de 2022, quando estava em 71,7%. Projeções indicam que o próximo presidente herdará uma dívida bruta próxima de 86% do PIB, com a economia em desaceleração e juros elevados pressionados pelo desequilíbrio fiscal.

https://www.jota.info/tributos-e-empresas/mercado/proximo-presidente-herdara-divida-bruta-de-quase-86-do-pib-e-economia-em-desaceleracao

Para sustentar programas sociais, o governo se endividou em R$ 117 bilhões só para financiar o Bolsa Família entre 2023 e 2026. O benefício foi reajustado às vésperas eleitorais, com impacto estimado de bilhões adicionais nos anos seguintes, agravando o déficit.

https://www.estadao.com.br/economia/governo-lula-se-endivida-em-r-117-bilhoes-para-pagar-bolsa-familia-antes-de-reajuste/?srsltid=AU7gw4W4f7UxXhEx8SzrGDp8yBtJ5bXpyPG8hxqDOuGF5QG2GpayDzpy

Enquanto isso, a arrecadação bateu recordes — R$ 289 bilhões só em julho de 2026 —, impulsionada por uma série de aumentos de impostos e taxas: fundos exclusivos e offshore, combustíveis, “taxa das blusinhas”, bets, reoneração da folha, IOF, limitação de Juros sobre Capital Próprio e dezenas de outras medidas que elevaram a carga tributária. A reforma tributária, por sua vez, caminha para colocar o Brasil no topo mundial de impostos sobre consumo, com IVA (Imposto sobre Valor Agregado) estimado acima de 28%.

https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/08/25/arrecadacao-federal-soma-r-289-bilhoes-em-julho-novo-recorde-para-o-mes.ghtml

https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/brasil-tera-maior-imposto-do-mundo-com-iva-estimado-em-28/

No bolso do brasileiro, o reflexo é direto. Os preços dos alimentos seguem elevadíssimos. Depois da promessa de “picanha no prato”, o próprio presidente sugeriu trocar carne por ovo — ou, na falta dos dois, arroz com feijão sem mistura. A inflação dos alimentos pesa especialmente sobre as famílias de baixa renda e se tornou um dos principais problemas eleitorais da gestão.

https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/lsf-brasil/da-promessa-da-picanha-lula-agora-sugere-trocar-carne-por-ovo

As estatais completam o quadro de deterioração. O rombo delas se tornou rotina: R$ 4,16 bilhões só nos dois primeiros meses de 2026, quase o total de 2025. Os Correios concentram a crise, com prejuízos bilionários consecutivos e novos empréstimos de R$ 7 bilhões em negociação — parte da conta ficará para o próximo governo, além de aportes previstos. Sem privatização ou reestruturação profunda, a sangria continua.

https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/03/31/estatais-federais-tem-rombo-recorde-de-r-41-bilhoes-no-pior-1o-bimestre-da-historia.ghtml

Na segurança pública, a percepção popular é clara. Pesquisas apontam que 45,8% dos brasileiros consideram que a situação piorou no governo Lula; em outro levantamento, 36% atribuem a piora diretamente à administração federal. O tema se firmou como um dos principais vetores de insatisfação.

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2025/10/29/seguranca-publica-piorou-para-458-sob-governo-lula-mostra-pesquisa.htm

Para o deputado federal Junio Amaral (PL-MG), o governo Lula encerra mais um mandato de decepção.

“Ao contrário do que tinha acontecido no primeiro mandato, quando ainda pegou uma onda global de crescimento econômico e momentos de estabilidade, ele conseguiu agora afundar o Brasil. Economicamente falando, mas principalmente moralmente falando.
Lula fez de tudo para contribuir com a crescente de autoritarismo no judiciário, governou com o auxílio do judiciário, cometendo diversas inconstitucionalidades, cometendo abusos, perseguições.
Economicamente falando, elevou os nossos gastos públicos e adotou medidas que em nada acrescentam ao povo brasileiro, pelo contrário, são medidas eleitoreiras.
Esse governo nos afundou numa dívida imensa, voltou a dar prejuízo às estatais, as estatais que o governo Jair Bolsonaro resgatou, colocou numa situação financeira saudável, Lula acabou de destruí-las agora, deixando também todas em déficit. Não há uma estatal sequer que hoje apresente superávit”, apontou o parlamentar.

De acordo com o jornalista Lucas Berlanza, a principal herança do governo Lula 3 é o descalabro fiscal, bem como o amontoado de impostos que estabeleceu:

“Só não conseguiram causar um estrago ainda maior devido a reformas anteriores, como a autonomia do Banco Central. Do ponto de vista político-institucional, foi um ponto de apoio para a consolidação de um regime de supressão de liberdades e medidas de exceção contra determinados opositores mediante a hipertrofia do Poder Judiciário. O governo Lula recorreu aos ministros do STF para ter governabilidade, beneficiando-se da sanha do Judiciário por legislar, além de reforçar a deterioração da Corte com as indicações de Zanin e Dino.
Sob o pretexto retórico de proteger a democracia de um suposto golpe de Estado, sufocou-a em diversos aspectos essenciais. Transformou a ‘ameaça golpista’ em praticamente a única pauta nacional, sem ter qualquer ideia substancial a apresentar em seu lugar.
Degradou o Brasil internacionalmente, posicionando-o de maneira inábil e até imoral em um contexto global de grandes riscos. O tamanho exato do problema deixado por esse governo, porém, à luz da História, dependerá do que virá depois, ou seja, se a estrutura que ele estabeleceu terá continuidade ou não”, ressaltou.

Para o jornalista Julio Ribeiro, ninguém pode dizer que não fomos avisados dos riscos de mais um governo Lula:

“A nação brasileira foi avisada, inclusive pelo atual vice-presidente, Geraldo Alckmin, que disse lá atrás que o Lula queria voltar à cena do crime. E ele voltou. Junto com o Lula. Não havia nenhuma surpresa de que o crime voltaria.
O roubo dos aposentados talvez seja o mais cruel de todos os crimes deste governo. Fala-se em R$ 6 bilhões só nos descontos para sindicatos. Fora os empréstimos consignados fraudulentos, não pedidos pelos aposentados. Isso pode passar de R$ 100 bilhões.
O filho do presidente vive na Espanha de forma nababesca, entre os 2% da população espanhola, no pico da pirâmide. Ganha R$ 300 mil de mesada, mais milhões de antecipação e todos os negócios que fez com a Roberta Luchsinger. O filho voltou a fazer negócios porque o presidente voltou. Pai e filho voltaram juntos à cena do crime.
O que mais me revolta nesse roubo dos aposentados — uma das grandes marcas deste governo — é que o maior prejuízo atingiu os dois estados mais pobres da União: Maranhão e Piauí. Justamente os que mais deram votos ao Lula. O Piauí deu 73,4% dos votos no segundo turno de 2022. E foi lá que houve o maior percentual de aposentados fraudados: 68% sofreram descontos irregulares. Lula não poupou nem quem votou nele. Quanto mais o resto do Brasil.
Outra marca deste governo foi o envolvimento com Daniel Vorcaro. Quatro vezes ele esteve em reuniões fora de agenda com o presidente, com a presença do então futuro e depois já presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Conversas não republicanas. Diálogos cabulosos.
E tem mais: este foi o governo dos banqueiros, o governo dos rentistas. No terceiro ano do governo Bolsonaro, o pagamento de juros da dívida ficou em cerca de R$ 440 bilhões. No terceiro ano de Lula, foram R$ 1,12 trilhão. Quase três vezes mais. Para pagar essa conta, o governo criou ou aumentou imposto a cada 27 dias. Tirou o sangue dos trabalhadores de canudinho. Hoje, mais de 82% da população brasileira está endividada. Quase metade não tem sequer R$ 500 guardados para uma emergência.
Este terceiro governo de Lula é, na verdade, o quinto. Porque o governo da Dilma foi o poste do Lula. Pela quinta vez ele teve a oportunidade de estar à frente do Brasil — e não foi nada diferente do que qualquer pessoa com bom senso poderia esperar.
A expectativa dos trabalhadores e dos brasileiros de bem é que ele não consiga enganar a população pela sexta vez. Não temos nada de bom para lembrar desses quase quatro anos. Esperamos que ele vá para a lata de lixo da história. Se não se reeleger agora — que Deus queira e o brasileiro concorde com isso —, ele nunca mais volta. O PT acaba. A esquerda acaba com o fim do Lula”, ressaltou o jornalista.

Já o economista Ricardo Zanchin recorre ao cinema para analisar o cenário atual do Brasil:

“Existe um filme chamado Herança Maldita. Pelo título, já dá para termos uma ideia do que nos espera no roteiro: muito susto, medo e preocupação. Infelizmente, acredito que possamos usar esse mesmo título para a nossa economia brasileira e para o Brasil pós-eleições. Falo aqui como um economista independente, independentemente de quem vencerá as eleições.
Os números estão comprovando que o Brasil está chegando ao que se chama de fadiga fiscal. A fadiga fiscal mede a relação entre a dívida pública federal e a carga tributária. Chegamos a um ponto em que o aumento da carga tributária já não comporta — nem enfrenta — o crescimento do gasto público.
Em outras palavras, a curva de Laffer [teoria econômica que demonstra que existe um ponto ideal de alíquota de impostos para maximizar a arrecadação do governo, e que cobrar taxas excessivas além desse limite faz a receita estatal cair] começa a funcionar no Brasil. Por isso tantas empresas pedem recuperação judicial, estão sendo vendidas ou mudam para outros países — como tem acontecido com o Paraguai.
Estudos mostram que a nossa dívida está atualmente em torno de 81,4% do PIB, na faixa dos 10 trilhões de reais. Poderemos chegar, entre 2032 e 2035, a 100% do PIB. Isso exigiria um ajuste fiscal anual de 330 bilhões de reais nos próximos anos.
A necessidade de ajustes fiscais e de corte de gastos será iminente e se tornará a primeira meta do próximo presidente. Mas a herança em si não mudará.
O mesmo vale para a questão jurídica. Percebemos uma crescente insegurança jurídica tributária. Estamos prestes a ter a reforma tributária, que originalmente tinha uma constante, mas agora já apresenta variações e prorrogações. Acredito que teremos um recorde de processos tributários, com os departamentos jurídicos das empresas questionando cada vez mais por meio de teses jurídicas. Nesse sentido, poderemos enfrentar também uma insegurança no arcabouço fiscal e na reforma tributária que está por vir.
Infelizmente, o cenário político, econômico e jurídico para o nosso país será uma herança maldita. Tomara que consigamos fazer o dever de casa a partir do próximo ano e reverter esse quadro com um ajuste fiscal severo”, completou.
da Redação
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