
A hora do desespero pode ser um filme plausível na reta final das eleições

28/09/2026 às 19:53 Opinião

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Se você se interessa em perscrutar a sensação de vazio profundo a hora é agora. Faça uma pesquisa no google e veja quantas vezes a palavra "desespero" foi grafada em notícias e manchetes jornalísticas. São milhares. A grande maioria refere-se a Lula e à campanha petista em todo o País.
As medidas tresloucadas do governo na área econômica e decisões com legalidade duvidosa saídas das mãos de Flávio Dino (sempre ele) indicam que há um incômodo com o resultado eleitoral. Há fortes indícios que o governismo seja derrotado.
É humanamente natural que candidatos das mais diversas tendências estejam aprensivos com o que pode sair das urnas no próximo domingo. Por mais que pesquisas apontem sinais e tendências é bom saber que é apenas isso: tendências e sinais.
A opacidade do momento e as incertezas sobre se atos de campanha produzirão os efeitos esperados definem com precisão o fenômeno da incerteza.
Por isso, olhando o cenário percebemos que todos estão vivendo na lanterna dos afogados, tentando antecipar resultados que ainda habitam o mundo subjetivo, mergulhados no vazio profundo que, depois da contagem dos votos, emergirá como realidade concreta.
Por enquanto, tudo é exercício de adivinhação, mesmo que seja possível intuir a direção do vento que faz a nau singrar numa ou noutra direção.
Pela quantidade de medidas de ultima hora, feitas de afogadilho ou de maneira casuística, é mais do evidente que Lula e o Governo estão com muito medo das urnas produzirem um revertério.
Candidaturas sólidas e autoconfiantes mantém a prudência e a calma mesmo diante de fatos adversos que, aparentemente, possam causar danos e queda de popularidade.
Nietzsche - talvez o filósofo que, juntamente com Cioran, melhor teorizou sobre o vazio da alma quando discute o conceito de amor fati - diz que "o desespero é o preço pago pela autoconsciência", mostrando que a ausência de verdades absolutas geram pânico, levando as pessoas a acreditarem em argumentos reconfortantes, em mágicas e entidades do além.
Infelizmente, quando os gestos e os olhares traem, percebemos como adivinhar a vontade coletiva é sonoramente angustiante e assim nos perdemos em atitudes que colocam em xeque nosso caráter, nossa ética, nossos valores mais caros, e dizemos em alto e bom som que em campanha todos estão liberados "para fazer o diabo".
Não importa que se cometam crimes, o importante é vencer o inimigo da hora, com todas as armas disponíveis.
É assim que vemos pessoas que se autoproclamam racionais, humanistas, progressistas, com alto senso de solidariedade humana, transformando-se do nada em bestas selvagens, mandando às favas os escrúpulos de consciência.
Somos humanos demasiadamente humanos para suportar a derrota política. Por isso, quando percebemos intuitivanente a chance de vitória do outro abandonamos nossas máscaras para defender "um bem maior", acreditando que essa figura inventada possa servir de consolo para a nossa imensa hipocrisia.
Dante Filho. Jornalista. Publicado originalmente no blog do autor: Blog do Dante Filho.

















