Tebet, a candidata “independente” que mudou o domicílio eleitoral por um cálculo político de Lula

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O que o governador Tarcísio de Freitas ofereceu ao deputado Ricardo Salles para que desistisse de sua candidatura ao Senado? No mínimo, uma boa secretaria em seu segundo mandato, e apoio para voos maiores em 2028 ou 2030. Não importa, faz parte do jogo político, e esta foi uma jogada de mestre do governador, considerando os interesses de seu campo político.

Engraçado foi acompanhar a reação das candidatas da esquerda. Simone Tebet se coloca, agora, como a única candidata “independente” na disputa. Çei. Com um advogado petista do Prerrogativas como suplente, que certamente ocupará a sua vaga se Lula vencer a eleição.

Não deixa de ser curioso Tebet afirmar que, “agora”, é a única independente. Então Ricardo Salles era “independente”, e não um ogro da extrema-direita? Não deixa de ser um plot twist. Mas é compreensível, Tebet quer herdar uma parte dos votos que iriam para Ricardo Salles. In you dreams.

Marina Silva veio para colocar as coisas em seus devidos lugares, classificando as duas candidatas como sendo do “campo progressista”. Não tem essa de “independência” ou “centro democrático”. As duas estão na órbita do PT, Marina deixa isso muito claro.

De todos os candidatos ao Senado, a que mais me causa asco é Simone Tebet. Não tem problema não ser paulista, o que não falta é político não paulista que fez a sua carreira política em São Paulo. O problema é ter todo um histórico político em outro Estado, e mudar o domicílio eleitoral por um cálculo político de Lula, e, ainda assim, posar de “independente”. #meusovo.

Derrite, Prado, Salles, Marina, cada um é autêntico a seu modo, representam aquilo que sempre representaram. Tebet, por outro lado, continua posando de musa do centro político, mesmo sendo claramente um peão no tabuleiro do PT.

Tebet teve mais votos em São Paulo do que em seu estado natal em 2022, justamente porque o paulista, mais do que qualquer outro brasileiro, estava em busca de um candidato independente naquela eleição. Nesta, Tebet quer repetir a mágica, vestindo o figurino de independente. O problema para a candidata é que se passaram 4 anos, e 2026 não é 2022. Vamos ver o que as urnas paulistas dirão.

Marcelo Guterman. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP e mestre em Economia e Finanças pelo Insper.

da Redação
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