
Nossa Senhora no palanque: A fé na disputa pelo poder

29/09/2026 às 16:02 Opinião

Siga o Jornal da Cidade Online no Google
Acompanhe as principais notícias do momento direto nos resultados de busca.
A poucos dias das eleições, Nossa Senhora Aparecida tornou-se o centro de uma disputa política. Tudo ganhou força quando Flávio Bolsonaro declarou que, se eleito presidente, decretaria que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo. A declaração foi seguida por uma notícia falsa de que ele pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A polêmica chegou à Justiça e provocou decisões divergentes: André Mendonça determinou a retirada das publicações, Flávio Dino autorizou sua republicação e Luiz Fux restabeleceu a ordem de remoção.
Enquanto isso, Lula ergueu uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré diante do público, em um comício, e declarou que não permitiria desrespeito a Nossa Senhora Aparecida. A cena ampliou a discussão sobre o uso de símbolos religiosos na campanha eleitoral.
E não é a primeira vez que Lula recorre a símbolos religiosos. Na eleição anterior, participou de um encontro com representantes das religiões de matriz africana, recebeu uma imagem de Xangô e convidou integrantes desses movimentos a colaborar na elaboração de seu programa de governo. Em outra ocasião, já em 2023, apareceu em um vídeo diante de uma imagem de Jesus Cristo, afirmando: “Eu já voltei, agora você vai voltar”, ao anunciar o retorno da escultura ao Palácio do Planalto.
Esses episódios, somados às recentes imagens de Nossa Senhora no palanque eleitoral, levantam uma questão: onde termina a manifestação pessoal da fé e começa sua exploração política? Para quem considera sagrados esses símbolos, sua associação à conquista do poder pode representar uma grave banalização da fé.
A polêmica envolvendo Nossa Senhora tornou-se uma oportunidade de angariar votos a menos de uma semana das eleições. A divulgação de notícias falsas e as decisões divergentes do Supremo intensificaram ainda mais a controvérsia.
Enquanto isso, manifestações de religiosos, que deveriam estar orando pelo Brasil, pipocam por todos os lados em defesa de Nossa Senhora, que não precisa de defesa, em vez de apaziguar os ânimos dos fiéis, dos infiéis e dos eleitores. Todos precisam de oração e de paz.
Os vídeos com fake news continuam circulando a todo vapor. E os eleitores indecisos, tomados pela emoção, podem não perceber as tentativas de influenciar seu voto por meio da desinformação religiosa.
Recuso-me a acreditar que nossos eleitores sejam tão ingênuos a ponto de não enxergar a politização da fé diante dos próprios olhos. Basta observar o comício de Lula e as declarações envolvendo a proteção de Nossa Senhora.
Diante desse cenário, algumas questões merecem reflexão.
Lula pode ter visto na imagem de Nossa Senhora uma oportunidade de conquistar votos em meio à disputa eleitoral. Mas até que ponto o uso de símbolos religiosos em um palanque representa uma manifestação de fé ou uma estratégia de campanha?
Flávio Bolsonaro, por sua vez, é evangélico e filho de um ex-presidente católico. Sua candidatura foi atingida por uma notícia falsa que provocou decisões divergentes na Justiça. Ainda assim, hoje vi inúmeros vídeos circulando com a mesma acusação.
E repararam? Ninguém mais fala do Banco Master, do roubo dos velhinhos, de Lulinha ou do Lulão. Tudo agora gira em torno da eleição!
Afinal, quem vai vencer esse cabo de guerra religioso?
OREMOS! Oremos por este país!
Bernadete Freire Campos
Cidadã brasileira, especialista em neurociência, estudiosa do comportamento humano no contexto político.

















