Um dos mais renomados juristas do país vai pra cima de Moraes

Ler na área do assinante

Siga o Jornal da Cidade Online no Google

Acompanhe as principais notícias do momento direto nos resultados de busca.

Adicionar

O jurista Ives Gandra comentou os episódios envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao tratar do caso, Gandra ressaltou que prefere analisar circunstâncias, documentos e fatos concretos, em vez de fazer avaliações pessoais, mas afirmou que alguns pontos ainda precisam ser esclarecidos.

Entre os assuntos abordados esteve o contrato firmado entre o escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci, e o Banco Master. Segundo Gandra, os valores previstos no acordo chamam atenção quando comparados à sua experiência de décadas na advocacia. O contrato envolvia R$ 129 milhões.

"É muito estranho o contrato. Em advocacia, nos melhores escritórios do Brasil, eu só vejo contratos com valores elevados quando você tem uma questão judicial de valor muito elevado, uma discussão séria real", disse.

O jurista também colocou em dúvida a natureza dos serviços estabelecidos no contrato. De acordo com sua experiência profissional, valores dessa magnitude não seriam habituais em trabalhos relacionados à assessoria interna de uma instituição.

Outro ponto levantado durante a entrevista foi a relação entre Vorcaro e Moraes. Para Gandra, a dinâmica dos contatos entre os dois também é uma questão que deveria ser explicada.

"Se ele contratou a esposa, por que só tinha contato com o marido? Nos momentos mais cruciais que ele estava para ser preso, por que que ele não ligava para a sua advogada, mas ligava pro marido da advogada?", questionou.

Na avaliação do jurista, a falta de esclarecimentos públicos sobre determinados aspectos do episódio acaba alimentando dúvidas e ampliando o desgaste em torno da imagem do Supremo Tribunal Federal. Gandra defendeu que situações capazes de gerar questionamentos sejam devidamente explicadas pelas autoridades envolvidas.

"Sempre explicar é muito melhor do que deixar a imaginação popular funcionar", apontou.

Para o jurista, esclarecimentos sobre o caso poderiam ajudar a diminuir a repercussão da crise institucional e impedir que o episódio continue produzindo impactos sobre a percepção pública a respeito do STF.

Apesar das críticas e questionamentos, Gandra fez uma ressalva sobre a necessidade de examinar todos os elementos disponíveis antes de formular conclusões. Ao relembrar sua trajetória como advogado e professor, afirmou que não considera apropriado fazer julgamentos antecipados sem conhecer integralmente os detalhes de uma questão.

"Não faço nunca como advogado juízos de valor antecipado. Eu ensinava pros meus alunos… coloco no decálogo do advogado que fiz para todos os meus alunos das diversas universidades no Brasil e no exterior. Sempre devemos só julgar depois de conter todas as peças, conhecer todos os detalhes de uma questão."
da Redação Ler comentários e comentar