
No meio da apuração, Gonet toma atitude inesperada

04/10/2026 às 18:33 Direito e Justiça

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A Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu arquivar o pedido apresentado pela Advocacia-Geral da União (AGU) para apurar uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. Segundo o órgão, não foram apresentados elementos mínimos que justificassem a abertura de um inquérito.
A representação foi assinada pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, e por outros três integrantes da AGU. O documento tomou como base uma reportagem publicada pelo jornal britânico The Guardian, segundo a qual o governo de Donald Trump teria destinado US$ 1 milhão a um projeto relacionado a críticas à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Ao analisar o material encaminhado, a PGR entendeu que a representação reproduzia essencialmente as informações divulgadas pela imprensa e não apresentava dados capazes de confirmar o suposto financiamento ou estabelecer uma ligação entre os recursos mencionados e ações realizadas no Brasil.
“Não há elementos mínimos que suportem uma atuação preventiva do Ministério Público Federal”, afirmou a PGR.
O órgão, contudo, deixou aberta a possibilidade de uma futura apuração caso apareçam indícios de eventual atuação ilícita em território brasileiro.
PF mantém apuração sobre o caso
Apesar do arquivamento pela PGR, a Polícia Federal adotou outro encaminhamento para a solicitação apresentada pela AGU. O diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, informou neste domingo, 4, que foi determinada a abertura de uma investigação pela Diretoria de Inteligência Policial.
De acordo com Rodrigues, o procedimento ainda está em estágio inicial. A apuração busca verificar as informações relacionadas à possível interferência estrangeira e ao eventual financiamento mencionado na representação.
No documento enviado à PGR, a AGU classificou como “especialmente grave” a hipótese de recursos estrangeiros terem sido empregados em ações contra instituições brasileiras. A Advocacia-Geral da União também argumentou que, caso os fatos fossem confirmados, poderia haver indícios de uma estrutura de ingerência externa em assuntos internos do país.
A representação defendia ainda a identificação de eventuais responsáveis pelo recebimento dos recursos e a análise de possíveis responsabilidades na esfera criminal.
A PGR, entretanto, concluiu que o material apresentado naquele momento não era suficiente para justificar uma investigação preventiva. O pedido acabou arquivado pelo gabinete do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

















