
Jornalista renomado aponta o grande vencedor do pleito e revela os verdadeiros “golpistas”

05/10/2026 às 11:39 Política

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Em artigo publicado no site Metrópoles, o jornalista Mario Sabino aponta o ex-presidente Jair Bolsonaro como o grande vencedor da eleição deste domingo (4). Mesmo emudecido pelo sistema, o ex-presidente conseguiu fazer uma grande bancada na Câmara e no Senado e poderá ter o filho eleito presidente da República.
Enquanto isso, ou o mais irônico é que hoje ‘os golpistas são aqueles que prenderam e arrebentaram em nome da defesa da democracia’. Leia o texto:
O grande vencedor do primeiro turno está preso e praticamente incomunicável: Jair Bolsonaro. O grande perdedor final já é o seu algoz, o STF.
Quando estava preso, em 2018, Lula queria sair da cadeia elegendo para o Palácio do Planalto o seu poste, um patético Fernando Haddad que se despiu da sua escassa persona pública para tentar convencer o eleitor de que era o chefão petista.
Lula não conseguiu o seu intento e se viu obrigado a contar com a conveniência de ministros do Supremo para ser libertado e voltar à arena eleitoral. Tornou-se refém existencial dos seus benfeitores.
Encarcerado em prisão domiciliar, Jair Bolsonaro poderá ter o seu filho Flávio eleito presidente da República graças ao sobrenome e, desse modo, abrir caminho para a sua liberdade.
Se vier a obtê-la, mesmo se seguir na trilha de alguma composição, não deverá favor aos seus verdugos.
O bolsonarismo teve uma vitória avassaladora nas eleições legislativas tanto no Senado como a Câmara dos Deputados — e, no Senado, já tem maioria suficiente para levar adiante processos de impeachment contra ministros do Supremo, em especial do verdugo Alexandre de Moraes.
Uma vez eleito, Flávio já sinalizou com a bandeira da paz ao STF — a sua prioridade, se eleito presidente, será livrar o pai da cadeia e governar com o menor grau de estridência possível —, mas é incancelável o compromisso dos senadores bolsonaristas com o impeachment do amigão togado de Daniel Vorcaro.
É o que mais esperam deles os milhões de cidadãos que os elegeram, para além da aprovação de anistia geral, ampla e irrestrita aos condenados pelo 8 de janeiro.
Essa massa de eleitores dificilmente será convencida da necessidade de um escambo entre a liberdade de Jair Bolsonaro e a preservação no cargo do principal carrasco do ex-presidente. Deixar de lado a palavra assumida durante a campanha significará aos senadores bolsonaristas um custo político que não vale a pena pagar.
Ainda que Lula seja reeleito, hipótese improvável nas atuais condições de temperatura e pressão, o objetivo do impeachment de Alexandre de Moraes deverá ser perseguido. Talvez até com ardor redobrado, arrisco dizer. A primeira batalha será a de destituir pela força do voto o presidente do Senado, o inominável Davi Alcolumbre, para que o processo seja destravado. Paralela ao combate pelo impeachment, a luta será por uma reforma do Judiciário que coíba o autoritarismo dos ministros.
O lulismo não tem herdeiros visíveis, o antipetismo ganhou vida própria, impelido também por um terceiro mandato entre pífio e desastroso de Lula, e o próprio chefão petista, adepto do depois de mim, o dilúvio, já admitiu a pelo menos um interlocutor que o seu partido não terá futuro condizente com o seu passado. A esquerda terá de encontrar outras hegemonias depois do eventual fim melancólico de Lula, personagem onipresente há meio século na vida desta República conturbada.
O bolsonarismo, por sua vez, incrivelmente sem agremiação própria, já tem um presente vencedor e aponta para um horizonte promissor em um país cada vez mais avesso a assistencialismos eleitoreiros, mais simpático ao ideário conservador — e sempre disposto a relevar podridões de quem lhe atenda o mínimo de expectativas. Cresceu e multiplicou-se nos estados e conta com um Tarcísio de Freitas que já se tornou figura nacional.
O governador de São Paulo humilhou Fernando Haddad nas urnas para além do esperado. Tivesse contado com o apoio de Jair Bolsonaro para ser o candidato presidencial, Tarcísio de Freitas bateria Lula com folga.
O ex-presidente, contudo, não quis abrir mão de ter o seu sobrenome nas urnas. Seja pelo desejo de manter a dominância na direita a qualquer preço, seja por medo de não contar com tanto empenho em prol da sua liberdade, Jair Bolsonaro arriscou-se com Flávio. Arriscou a direita inteira.
A sorte foi que a ojeriza dos políticos do STF pelo filho de Jair — ou melhor, o medo de perder poder e de ter de sacrificar um dos seus no altar do impeachment — os fez abandonar quaisquer resquícios de pudor e de inteligência e fazer o diabo pela reeleição de Lula.
O tiro saiu pela culatra no primeiro turno, o escândalo com as manobras dessa gente vista como corrupta e arrogante ultrapassou os limites do bolsonarismo raiz, e Flávio viu-se ajudado por quem queria derrubá-lo. Os defeitos e as culpas do candidato foram obnubilados pela pólvora da artilharia suja contra ele. A migração de boa parte dos eleitores dos demais candidatos à direita para Flávio ocorreu antes do esperado.
Agora, se confirmada a impossibilidade de Lula vencer o filho de Jair nas urnas, o plano é executar um golpe judicial, alegando ingerência americana na eleição presidencial brasileira. Mas nem PT, nem políticos do STF estão antevendo a oposição garantida daquelas que são, em última instância, as responsáveis pela manutenção da lei e da ordem no país.
A ironia é que, hoje, os golpistas são aqueles que prenderam e arrebentaram em nome da defesa da democracia. Pensando bem, não há ironia nisso.











