
A parada na apuração, a explicação de Nunes Marques e a lacuna que alimenta uma grave suspeita

05/10/2026 às 13:41 Opinião

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Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, disse na coletiva de domingo (4), após o primeiro turno das eleições de 2026, que o atraso de cerca de uma hora na divulgação dos resultados foi causado por um “congestionamento de dados”. Segundo ele, a área de TI constatou um fluxo superior ao normal no sistema de divulgação. Ele afirmou que a apuração e a totalização não foram afetadas.
Reportagens do G1, da CNN Brasil, do SBT e da Agência Brasil registram que os números da disputa presidencial ficaram praticamente parados por volta das 19h, em cerca de 64% das seções. A atualização só voltou por volta das 20h, quando o percentual saltou para cerca de 85%.
Na parada, com 64,81% das urnas, Flávio Bolsonaro tinha 49,58% e Lula, 42,25% — vantagem de cerca de 7,3 pontos.
Na atualização seguinte, já com 84,96% das urnas, Flávio caiu para 48,47% e Lula subiu para 43,49%. A diferença encolheu para cerca de 5 pontos e continuou diminuindo até o fim da apuração, quando fechou em cerca de 1,9 ponto: 47,03% a 45,16%.
O que o TSE não esclareceu foi o cerne do problema. A divulgação presidencial ficou parada cerca de uma hora e, ao voltar, não retomou de onde tinha parado: saltou de cerca de 65% para cerca de 85% das urnas de uma vez, um avanço de aproximadamente 20 pontos percentuais sem atualização intermediária.
Nunes Marques falou em congestionamento e em isolamento temporário de outros sistemas, mas não disse quais sistemas foram isolados, por que só a disputa presidencial travou de forma tão visível nem por que a retomada veio nesse salto.
Essa lacuna é o que alimenta a suspeita conservadora: a parada ocorreu com Flávio ainda perto de 50%, e a volta mostrou a vantagem já reduzida.
Nos boletins publicados depois da parada, a vantagem de Flávio não voltou a subir. A linha foi descendente até o fim.
O TSE não explicou o intervalo em branco entre um boletim e o outro.
Lucia Sweet
Jornalista












