Vaza a reação dentro do STF após o 1º turno

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O jornal Folha de S.Paulo lançou um artigo revelando os bastidores do STF após o 1º turno das eleições.

Eis o que diz a matéria:

O dia seguinte à vitória expressiva de bolsonaristas para ocupar cadeiras no Senado levou à abertura de uma cornucópia de ameaças ao Supremo Tribunal Federal: da retirada de atribuições criminais da corte ao impeachment de ministros, os novos parlamentares antecipam uma revolução no Judiciário.

Para ministros do Supremo e seus interlocutores ouvidos pela Folha em reserva, há um fogo de palha justificado pelo desempenho nas urnas, onde o PL do líder no primeiro turno presidencial, Flávio Bolsonaro, elegeu 18 senadores e agora terá 28 das 81 cadeiras da Casa.

Por evidente, o risco de abertura de algum processo de impedimento é mais alto e visto até como inevitável por alguns ministros, cientes de que os bolsonaristas querem alguma cabeça.

Mas, insistem os magistrados, a tendência será a de alguma acomodação uma vez que todos tomem seus assentos, por uma série de fatores. O principal deles é o DNA da bancada eleita, onde há diversos tons do azul que simboliza o bolsonarismo.

Há uma tonalidade profunda quando se olha para o Distrito Federal de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis ou para a Santa Catarina de Carlos Bolsonaro e Carol de Toni. Mas a cor fica bem mais aguada olhando a origem de outros.

Em São Paulo, André do Prado será um operador do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito de forma consagradora. Dificilmente o novo senador irá contrariar a índole do padrinho, avesso a conflitos institucionais e de olho na Presidência em 2030.

Em Minas Gerais, Domingos Sávio ainda é lembrado como um ex-aliado do Aécio Neves (PSDB) que derrotou no domingo. Ele foi tucano da fundação do partido, em 1988, até 2022.

Outro cristão-novo do bolsonarismo é Zé Medeiros, eleito em Mato Grosso. Ele foi do PPS, antigo Partido Comunista Brasileiro, migrando pelo PSD e pelo Podemos antes de desembarcar no PL também em 2022.

Seu vizinho de estado Reinaldo Azambuja, também eleito no domingo, passou dez anos no PSDB, partido pelo qual se elegeu governador duas vezes, até entrar no PL no ano passado.

Outro ponto levantado por ministros é que muitos senadores, aí de todas as bancadas, são objeto de investigações criminais sigilosas no Supremo.

O eventual progresso da proposta de tirar da corte a prerrogativa de julgar políticas seria para muitos um tiro no pé, dada a maior imprevisibilidade em instâncias inferiores.

É, claro, uma leitura mais alinhada à ala dos ministros acusados pelos bolsonaristas de simpatia por Lula (PT), como o decano Gilmar Mendes, o ex-ministro da Justiça do petista Flávio Dino e, claro, a nêmesis do clã Bolsonaro, Alexandre de Moraes.

Mas a visão pela acomodação é adotada também por interlocutores de juízes do campo neutro, como o presidente da corte, Edson Fachin, e Cármen Lúcia. A diferença é que esse grupo crê que o processo não será tão simples, ao menos num primeiro momento.

O segmento associado ao bolsonarismo, centrado em André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques, pode até querer ver rivais degolados, mas sabe que lâminas têm dois lados. Mas aposta no conflito.

Como seria óbvio agora, já há aliado do senador fluminense dizendo que o melhor para Moraes seria renunciar antes da posse do novo Senado.

Amigos do ministro dizem que, mesmo com toda a pressão decorrente de sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a ideia de desistir para ser poupado não foi levantada por ele em nenhum momento.

Por fim, há o óbvio. O cenário de vale-tudo proposto pelos bolsonaristas depende de Flávio confirmar sua vitória sobre Lula no segundo turno, no dia 25. Se é claro que o mandato dos senadores está garantido, a configuração do poder federal é fundamental para saber para onde o vento sopra.

No caso de um governo Flávio, vale lembrar do histórico da gestão de seu pai, Jair Bolsonaro. Nela, havia interlocução constante entre a corte e o presidente, mesmo nos momentos de maior apoplexia anti-institucional do hoje condenado pelo mesmo Supremo.

Aí é que entra a questão de Bolsonaro, que Flávio já anunciou que irá anistiar como primeiro ato de um eventual governo.

Se o senador vencer o segundo turno, a especulação gira em torno de algum acordo para evitar o choque inevitável, dada a jurisprudência da corte para casos de atentado à democracia, que impede o indulto. Por ora, é difícil prever o que irá acontecer, mas peças se mexem em Brasília.

No caso de um triunfo de Lula, o tema ficará circunscrito à barulheira no Senado. Naturalmente, todo esse processo ainda será contaminado pela continuidade da crise aguda entre as alas do Supremo, que pode transbordar para a arena política com força ainda neste fim de ano.

da Redação Ler comentários e comentar