Presidente de tribunal agora é ré por improbidade administrativa

Um fato inusitado. A pessoa que ocupa a presidência de um tribunal de 2ª instância é ré numa ação por improbidade administrativa.

O juiz aceitou na quinta-feira (1) a denúncia contra a desembargadora presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul, Tânia Garcia de Freitas Borges, pelo cometimento do crime de improbidade administrativa, por ter se utilizado da estrutura do poder público para arbitrariamente soltar o filho da cadeia, envolvido com tráfico de drogas.

O filho da magistrada havia sido preso com 129 quilos de cocaína, uma pistola e munições.

Fazendo uso da autoridade dos cargos que ocupa, a magistrada foi pessoalmente ao presídio e mediante ameaças liberou o rapaz.

Como se não bastasse, há poucos dias, a mesma desembargadora se envolveu em novo caso polêmico.

Durante o plantão judiciário, a magistrada determinou que dois perigosíssimos golpistas fossem soltos.

Celso Eder Gonzaga de Araújo e Anderson Flores de Araújo, apontados pela Polícia Federal como líderes de um golpe que fez 25 mil vítimas no Brasil, ganharam a liberdade.

Desembargadora Tânia Borges
Desembargadora Tânia Borges

Tânia Borges concedeu o habeas corpus e definiu medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica e comparecimento mensal à Justiça.

No dia seguinte, ao tomar conhecimento do HC concedido pela colega, o desembargador Luiz Claudio Bonassini da Silva revogou a decisão, decretando novamente a prisão preventiva.

Na mesma decisão, Bonassini pediu informações sobre o ‘segredo de Justiça’ autorizado por Tânia Borges.

“A regra é da completa publicidade dos atos judiciais (princípio da publicidade), em especial quando se trata de investigação criminal já encerrada, que envolve um incalculável número de possíveis vítimas”, pontuou Bonassini.

A organização criminosa comandada pelos dois vigaristas vendia para incautos o sonho de ficar milionário.

A quadrilha modernizou o antigo conto do vigário.

O golpista Celso Éder Gonzaga de Araújo se apresentava como cônsul de Guiné-Bissau, país da África Ocidental. Capa das principais revistas regionais, ele criou a Company Consultoria Empresarial em 20 de maio do ano passado com patrimônio de R$ 1,5 milhão.

Para dar legitimidade aos negócios, o empresário patrocinava o Campeonato Estadual de Futebol.

De acordo com a Receita Federal, o patrimônio de apenas um dos integrantes da quadrilha saltou de R$ 11 mil para R$ 4 bilhões em quatro anos.

A fortuna foi construída vendendo o sonho de dinheiro fácil. Eles vendiam toneladas de ouro, retiradas de um garimpo fictício, e Letras do Tesouro Nacional.

Contavam que tinham ganhado R$ 3 trilhões na Justiça e contavam com o aval até da ONU para redistribuir 40% do dinheiro.

Em troca do sonho de ganhar R$ 1 milhão, pessoas faziam “milagres” para conseguir o dinheiro.

Segundo o relato de uma das vítimas em Sergipe, as pessoas estavam vendendo motocicletas, carros e até casa para conseguir o dinheiro e realizar o sonho de ficar rico. Era a aposta certa em ganhar uma mega-sena.

da Redação

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