
Olavo e Jair: dois "fora da curva" da política brasileira

09/10/2026 às 13:52 Opinião

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Costuma ocorrer com frequência: Não temos o entendimento completo daquilo que nos atravessa durante dias, semanas, anos, que vivemos de maneira quase que automática, sem uma reflexão mais aprofundada, e possivelmente só teremos a compreensão completa do fenômeno do qual fizemos parte muito tempo depois dos fatos acontecidos.
Assim me parece em relação a esse acontecimento recente da História política brasileira que foi o encontro casual de duas personalidades que de certa forma nadavam contra a corrente em suas respectivas áreas de atuação, o primeiro na seara da política, o segundo atuando no campo da filosofia e jornalismo.
Enquanto Jair Bolsonaro construía sua carreira no política como alguém distanciado de grupos políticos tradicionais, defendendo pautas conservadoras em um tempo de predomínio total do espectro de esquerda, sempre à parte, Olavo de Carvalho seguia trajetória semelhante, mantendo-se à parte da vida acadêmica, realizando seus estudos de forma autodidata, escrevendo em jornais como a Folha de São Paulo, Jornal do Brasil, O Globo, mas recusando-se a submeter às teses políticas predominantes nas universidades brasileiras.
Em 2005, Olavo de Carvalho mudou-se para os Estados Unidos por descontentamento com o cenário político brasileiro sob o governo do PT, e lá elaborou seus cursos na Internet que versavam sobre filosofia, política e cultura sob a ótica do Conservadorismo, formando 15 mil alunos, aproximadamente, e que acabaram por influenciar a vida política brasileira.
A partir de 2014 a vida dos dois se entrelaçou, por obra do destino, a partir de alguns de seus alunos que conheciam Bolsonaro como partidários políticos ou mesmo parentesco, ocorrendo a influência mútua nos campos ideológico e eleitoral.
Olavo preparou o terreno cultural dessa Nova Direita que surgiu no país através das ideias propagadas através de seus cursos nas redes sociais, sendo uma delas a necessidade de combater a hegemonia cultural e ideológica da esquerda, dominante no país, e que moldaram o discurso conservador que ajudou a eleger Bolsonaro em 2018, para escândalo dessa esquerda que sequestrou o país para si, e como o esperado, perseguiu o presidente eleito desde o primeiro dia de mandato, acusou-o do que não era, qual seja, de misógino, genocida, fascista, acuou-o em uma narrativa fictícia de um golpe que nunca existiu e comemorou com histeria a prisão da maior liderança de Direita que já surgiu em praças brasileiras.
Olavo cumpriu sua missão e faleceu no ano de 2022.
Bolsonaro foi preso pelo Sistema e é hoje um preso político refém das armadilhas ideológicas intolerantes.
Lula voltou ao poder pelas mãos diligentes dos amigos do poder, interessados em seu retorno e nas facilidades que concede a todos os seus camaradas.
Mas a História prossegue seu caminho.
No domingo, dia de eleições presidenciais, o que vimos foi o filho Flávio, indicado pelo pai a sucedê-lo na campanha política, vencendo Lula no primeiro turno dessas eleições, ao mesmo tempo em que as urnas davam o seu recado, com um verdadeiro tsunami varrendo o país de ponta a ponta, elegendo número expressivo de candidatos do PL, partido do presidente preso, e o transformando na maior força política que se tem notícia no Congresso nos últimos 40 anos.
Hoje, o PT agoniza e seu mestre Lula esfarela, enquanto uma turma jovem e animada, conservadora nos costumes e liberal na economia toma conta das ruas, com um olhar fixo no futuro em busca de um país que pretende se afastar em definitivo das forças políticas atrasadas de uma esquerda que já não representa os anseios dessa população que colocou a última pá de cal em ideias ultrapassadas.
Se quiserem agradecer a alguém por essa virada de chave, agradeçam a esses dois, Jair e Olavo, que foram os motores para que essa mudança de rota acontecesse, que são os grandes responsáveis pela lufada de vento que ocorre no momento na vida política brasileira.
Um e outro foram ridicularizados e esnobados por uma ideologia política arrogante, enquanto plantaram ideias que agora florescem.
E, afinal, Ernesto Araújo, lá atrás, tinha razão quando afirmou que foi a divina providência que uniu as ideias de Olavo à determinação de Bolsonaro.
Assim aconteceu.
Prossigamos.
Silvia Gabas. @silgabas











