
Tsunami da direita: Moraes recua e Centrão abandona Alcolumbre (veja o vídeo)

07/10/2026 às 09:50 Opinião

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A eleição mal terminou e Brasília já começou a descobrir uma velha regra da política: convicções costumam ser firmes — até a correlação de forças mudar.
Depois do avanço da direita nas urnas e do fortalecimento do PL no Congresso, alguns movimentos que pareciam improváveis há poucas semanas começaram a aparecer.
Nesta terça-feira, Alexandre de Moraes autorizou a progressão de Débora Rodrigues, a chamada “Débora do Batom”, para o regime semiaberto, mantendo o cumprimento da pena em prisão domiciliar. Também veio a público o arquivamento de uma investigação envolvendo Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio, após manifestação da Procuradoria-Geral da República.
Formalmente, cada decisão tem sua fundamentação jurídica própria. Politicamente, porém, o timing é impossível de ignorar.
Durante anos, qualquer crítica às decisões do Supremo era tratada como ameaça institucional. Agora, curiosamente, justamente quando as urnas redesenham o Congresso e ampliam a força da direita, começam a surgir decisões que são lidas por esse mesmo campo político como sinais de distensão.
Coincidência? Pode ser. Brasília, como se sabe, é uma cidade repleta de coincidências oportunas.
Mas se no Supremo o movimento chama atenção, no Senado a situação é ainda mais desconfortável.
Davi Alcolumbre, até pouco tempo tratado como um dos homens mais poderosos da República, vê sua permanência no comando do Senado em 2027 ameaçada pelo novo desenho político.
Com o crescimento da direita, o fortalecimento do PL e a possibilidade de uma maioria mais conservadora na Casa, o jogo mudou.
E Alcolumbre parece ter percebido.
Nos bastidores, segundo relatos políticos, ele teria tentado vincular uma eventual aproximação com Flávio Bolsonaro à manutenção de seu espaço de poder no Senado.
O problema é que o Centrão possui uma característica histórica bastante conhecida: costuma permanecer ao lado de quem tem votos, poder e perspectiva de vitória.
E quando percebe que o vento mudou, muda junto.
O próprio União Brasil, partido de Alcolumbre, caminha para apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno, enquanto o senador permanece politicamente próximo de Lula.
Resultado: o homem que pretendia negociar apoio começou a descobrir que talvez já não tenha tanto apoio assim para negociar.
É quase uma aula prática sobre a velocidade da política brasileira.
Até domingo, determinados personagens pareciam intocáveis.
Depois das urnas, alguns começaram a flexibilizar decisões, outros passaram a procurar novos aliados e outros simplesmente descobriram que seus antigos aliados já estavam atravessando a rua.
Não é apenas uma mudança eleitoral.
É uma mudança na percepção de poder.
O “tsunami da direita” ainda nem chegou ao segundo turno, mas as primeiras ondas já parecem ter alcançado Brasília.
E, pelo comportamento de alguns dos seus personagens mais poderosos, aparentemente a água está subindo.
Veja o vídeo:
Emílio Kerber Filho
Escritor e Estrategista Político. Criador do método Arquitetura Eleitoral:
https://emiliokerber.com.br/
https://emiliokerber.com.br/












