Eleições de 2026 marcam avanço da presença feminina na política

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Uma marca inédita na política brasileira saiu das urnas em 4 de outubro. A partir de 2027, o Distrito Federal será a primeira unidade da Federação a ter as três cadeiras do Senado ocupadas simultaneamente por mulheres. Michelle Bolsonaro e Bia Kicis foram eleitas para as duas vagas em disputa e ocuparam as duas primeiras posições na votação para o Senado. Elas se juntarão a Damares Alves, que tem mandato até 2031. Até então, nunca um estado ou o Distrito Federal havia chegado a essa composição. O DF se tornou também a primeira unidade da Federação a eleger duas mulheres para o Senado em uma mesma eleição.

O resultado acrescenta um capítulo importante à trajetória da participação feminina na política brasileira. As mulheres são maioria entre os eleitores, mas continuam minoritárias nos espaços de poder. Nas eleições de 2026, elas representam 52,84% do eleitorado brasileiro, com 83,87 milhões de eleitoras aptas a votar, segundo o Tribunal Superior Eleitoral.

A distância entre o peso das mulheres nas urnas e sua presença nos cargos eletivos ainda é expressiva. Nas eleições municipais de 2024, elas representaram cerca de um terço das candidaturas. Foram 733 mulheres eleitas prefeitas e 10.618 vereadoras em todo o país. Já nas eleições gerais de 2022, apenas quatro mulheres foram eleitas para o Senado e 90 chegaram à Câmara dos Deputados.

O cenário começou a mudar de forma mais visível nas eleições deste ano. Em 2026, 12 mulheres foram eleitas para o Senado entre as 54 vagas renovadas, o maior número de mulheres eleitas para a Casa em um único pleito desde a redemocratização. O recorde anterior era de oito, registrado em 2002. Com as novas eleitas e as parlamentares que permanecerão com mandato, a bancada feminina deverá chegar a 18 senadoras em 2027, o equivalente a 22,2% das 81 cadeiras, considerando também as suplentes em exercício.

Também cresceu o número de mulheres dispostas a disputar uma vaga. Foram 70 candidatas ao Senado em 2026, contra 58 em 2022 e 62 em 2018. Pela primeira vez, todos os estados e o Distrito Federal tiveram pelo menos uma mulher concorrendo ao Senado. Ainda assim, elas representaram apenas 22% dos candidatos ao cargo, enquanto os homens responderam por 78%.

O avanço da presença feminina não significa que a desigualdade de representação tenha sido superada. A própria Justiça Eleitoral destaca que a maioria feminina no eleitorado ainda não se traduz em participação proporcional nos cargos públicos. Entre os obstáculos apontados estão a sub-representação, as dificuldades de financiamento e a violência política de gênero, inclusive no ambiente digital.

O caso do Distrito Federal mostra duas realidades que convivem na política brasileira. De um lado, uma transformação histórica, com mulheres conquistando espaços que jamais haviam sido ocupados exclusivamente por elas. De outro, números nacionais que ainda revelam uma presença feminina distante de sua participação no eleitorado.

A eleição de 2026 não encerra essa discussão, mas deixa um registro que até agora parecia improvável: pela primeira vez, uma unidade da Federação será representada no Senado por três mulheres.

Foto de Simone Salles

Simone Salles

Jornalista, Mestre em Comunicação Pública e Política

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