O novo senado: maioria mais que suficiente

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Durante anos, qualquer discussão sobre responsabilização de ministros do Supremo foi rapidamente cercada pela palavra “golpe”.

Mas há um detalhe que deveria encerrar essa confusão: não é preciso golpe algum. A Constituição já estabeleceu o caminho.

O artigo 52 determina expressamente que compete ao Senado Federal processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade. E, para uma eventual condenação, são necessários dois terços dos senadores — 54 dos 81 votos.

A eleição de domingo produziu uma renovação extraordinária: 54 cadeiras estavam em disputa; 40 serão ocupadas por novos senadores e apenas 14 pelos que conseguiram se reeleger.

Não é possível concluir, somente por esses números, como cada novo parlamentar votará em eventual processo. Mas é impossível ignorar que o Senado de 2027 será profundamente diferente daquele que conhecemos até agora.

E aqui está o ponto central: não são tanques, quartéis ou aventuras institucionais que controlam os excessos entre Poderes. São as instituições funcionando.

Se houver denúncia, provas, enquadramento em crime de responsabilidade, direito de defesa e votos suficientes, o Senado possui autoridade constitucional para agir. Há inclusive pedidos dessa natureza atualmente tramitando na Casa.

O novo Senado terá diante de si algo maior do que uma disputa entre direita e esquerda: terá de decidir como pretende exercer uma competência que a Constituição lhe entregou há quase quatro décadas.

Até hoje, nenhum pedido de impeachment contra ministro do STF foi aprovado pelo Senado.

A partir de 2027, entretanto, haverá uma Casa substancialmente renovada.

Sem golpe.

Sem ruptura.

Sem atalhos.

Apenas basta cumprir a Constituição, plenário, devido processo, e voto.

E, para isso, o novo Senado já atingiu, faz tempo, a sua maioria institucional.

Foto de Jayme Rizolli

Jayme Rizolli

Jornalista.

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