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Flávio terminou o 1 º turno com 56.104.503 votos, contra 53.879.538 de Lula. Os outros candidatos reunidos somaram 9.316.747. Além disso, houve um total de 39.444.675 eleitores que anularam ou se abstiveram.
Para Lula virar a eleição, o aquário dos "outros" é muito pequeno e desfavorável. Vou usar aqui a última pesquisa Quaest sobre potencial transferência de votos do 1º para o 2º turno. Não que eu concorde com esses números, mas é só para ter um ponto de partida para o raciocínio. Os números da Quaest são os seguintes:
Cury: transfere 34% para Flávio, 23% para Lula e 43% para nulos.
Renan: transfere 60% para Flávio, 11% para Lula e 29% para nulos.
Caiado: transfere 43% para Flávio, 19% para Lula e 38% para nulos.
Zema: transfere 81% para Flávio, 9% para Lula e 10% para nulos.
Para o exercício a seguir, assumi também que os nanicos Samara, Hertz, Edmilson e Rui Costa transferem 100% dos votos para Lula, e Clariana e Grassi transferem 100% dos votos para Flávio. Se os brancos/nulos/abstenções permanecerem do mesmo tamanho, o segundo turno terminaria da seguinte forma:
Flávio: 60.324.142 (51,99%)
Lula: 55.695.149 (48,01%)
Diferença: 4.628.992 votos.
Por isso, você vai começar a ler por aí que a campanha de Lula tentará convencer as pessoas que se abstiveram a comparecer às urnas para, claro, votarem no atual presidente. Quanto essa estratégia poderia funcionar?
Fiz um levantamento da diferença de abstenções/nulos/brancos entre o 1º e 2º turnos desde as eleições de 2002. O resultado está no gráfico anexo, com os números corrigidos pela razão entre o eleitorado de cada época e o eleitorado atual.
Podemos observar que, no máximo, houve um comparecimento adicional de 1,7 milhões de eleitores nos anos de 2002 e 2014. Mesmo que esse número se repita, e que 100% desses eleitores votem em Lula, ainda faltariam cerca de 2,9 milhões de votos para fechar o gap de 4,6 milhões. Ou seja, seria preciso bater um recorde de comparecimento, e torcer para que todos esses eleitores votassem em Lula.
Claro, a campanha de Lula pode sonhar em, por exemplo, ter 100% dos votos de Cury, mantendo todas as outras transferências como acima. Neste caso, faltariam apenas 800 mil votos para ultrapassar Flávio, o que poderia ser feito com a redução das abstenções (sempre considerando que esse contingente adicional de eleitores votaria em massa em Lula).
A diferença de meros 2 pontos percentuais no 1o turno pode dar a impressão de que a eleição está muito apertada. Não está. A situação de Lula é muito, mas muito difícil, e a campanha de Lula sabe disso. Podemos esperar 3 semanas de jogadas desesperadas para tentar reverter esse quadro na marra.
Marcelo Guterman. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP e mestre em Economia e Finanças pelo Insper.



















