AO VIVO: Janja, a cabo eleitoral de Flávio (veja o vídeo)
08/10/2026 às 09:50 Opinião
As críticas à atuação de Janja já não partem apenas da oposição. Dentro do próprio PT e entre aliados de Lula, cresce o incômodo com a influência da primeira-dama nas decisões políticas, nas reuniões e na condução da campanha presidencial.
Após o resultado do primeiro turno, que colocou Flávio Bolsonaro à frente de Lula, a insatisfação ganhou força. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, dirigentes petistas passaram a responsabilizar Janja por interferências na estratégia eleitoral e por episódios considerados prejudiciais à imagem do presidente.
A ex-senadora Kátia Abreu, integrante da campanha de Lula no Tocantins, chegou a defender publicamente: “Menos Janja e mais Alckmin”. A crítica recebeu aplausos durante uma reunião de aliados.
O desconforto, entretanto, não começou agora.
Reportagens já apontavam reclamações de ministros e parlamentares sobre a dificuldade de acesso ao presidente, inclusive no Palácio da Alvorada. Segundo relatos de bastidores, a primeira-dama passou a exercer influência sobre agendas, interlocutores e decisões da campanha, dificultando conversas reservadas de aliados com Lula.
A situação ganhou mais um capítulo em 29 de setembro, quando Janja atacou publicamente o deputado Nikolas Ferreira, chamando-o de “piá de bosta”, durante um evento eleitoral em Salvador.
A declaração ocorreu após uma controvérsia envolvendo um vídeo publicado pelo parlamentar sobre uma fala de Lula a respeito de exames médicos. Nikolas reagiu nas redes sociais e, depois das eleições, respondeu: “Nunca subestime um piá”.
Para setores da campanha petista, episódios como esse alimentam polêmicas desnecessárias e desviam a atenção das propostas do presidente.
Janja, por sua vez, rejeita a ideia de que esteja agindo sem autorização. Sua assessoria afirma que toda participação política da primeira-dama tem o respaldo de Lula.
A ironia política é evidente: enquanto aliados tentam reduzir a exposição de Janja para reorganizar a campanha, suas declarações continuam oferecendo material para a comunicação dos adversários.
Não há como atribuir a ela, isoladamente, o desempenho eleitoral do presidente. Mas o fato de aliados cobrarem publicamente uma redução de seu protagonismo revela uma crise que ultrapassou os bastidores.
E é justamente dessa contradição que nasce a provocação: Janja, a cabo eleitoral involuntária de Flávio Bolsonaro.
A reportagem utiliza informações publicadas pela Folha de S.Paulo, UOL e Poder360, incluindo a declaração de 29 de setembro e as críticas registradas em 7 de outubro de 2026.
Veja o vídeo:
Emílio Kerber Filho
Escritor e Estrategista Político. Criador do método Arquitetura Eleitoral:
https://emiliokerber.com.br/
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