PCC, que Flávio vai classificar como “terrorista”, espionava polícia e ditava sentenças em Brasília
08/10/2026 às 08:08 Polícia
Uma operação integrada das forças de segurança foi deflagrada nesta quinta-feira (8) para desarticular uma estrutura do Primeiro Comando da Capital (PCC) estabelecida no Distrito Federal. Ao todo, são cumpridos 21 mandados de prisão temporária e 27 de busca e apreensão no DF, em Goiás e São Paulo. A ação é realizada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Distrito Federal (FICCO/DF) em conjunto com a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), da Polícia Civil do Distrito Federal, e conta com a participação de equipes das polícias Civil, Militar e Penal, além de agentes de São Paulo.
Batizada de Operação Jubilados, a investigação tem como alvos suspeitos de integrar a organização criminosa. No Distrito Federal, os mandados são cumpridos em São Sebastião, Itapoã, Samambaia, Sol Nascente, Ceilândia, Santa Maria, Candangolândia, Gama, Planaltina e Estrutural, além de unidades prisionais.
Também são realizadas diligências em Águas Lindas de Goiás (GO), Sorocaba (SP) e Indaiatuba (SP).
A investigação é um desdobramento de outra operação, deflagrada em dezembro de 2025. A análise do material obtido na ocasião permitiu identificar novos integrantes e aprofundar as investigações sobre o funcionamento da facção na capital federal.
Segundo os investigadores, a organização utilizava grupos de mensagens para coordenar atividades criminosas e transmitir determinações internas.
Um deles, denominado "Faculdade Brasília", reunia aproximadamente 80 integrantes e funcionava como um canal de articulação do PCC. Por meio do grupo, eram compartilhadas informações, repassadas orientações, coordenadas atividades e organizada a arrecadação de recursos para a facção.
As mensagens analisadas também revelaram uma estrutura dividida em setores responsáveis pelo controle de armas e munições, arrecadação financeira, cadastro de integrantes, assistência e presos, disciplina interna, recrutamento e expansão da organização criminosa.
A investigação também identificou um núcleo de inteligência e contrainteligência utilizado para compartilhar informações sobre operações policiais, prisões e investigações em andamento.
Segundo as autoridades, integrantes da facção realizavam levantamentos sobre membros de organizações criminosas rivais, reunindo fotografias, endereços, antecedentes criminais e informações sobre locais de atuação.
Outro ponto identificado foi a expansão de locais de comercialização de drogas vinculados ao PCC. Esses pontos eram chamados internamente de "lojas" e seguiam regras próprias de cadastramento e arrecadação financeira.
Nesta fase, os investigados são suspeitos principalmente do crime de integrar organização criminosa, cuja pena prevista é de três a oito anos de prisão, além de multa. Outras infrações poderão ser identificadas ao longo das apurações. As investigações continuam com a análise do material apreendido e a identificação de outros possíveis integrantes da facção.
A ofensiva desferiu um golpe cirúrgico na espinha dorsal do Primeiro Comando da Capital (PCC) neutralizando lideranças e desmantelando a infraestrutura de comando que operava clandestinamente a partir de redes virtuais e do sistema carcerário.
da Redação