Magistrado de 2ª instância no Rio de Janeiro é alvo da PF por suspeita de venda de sentenças
08/10/2026 às 15:54 Direito e Justiça
Investigado na operação “Em Nome do Pai”, realizada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (8), o desembargador Alexandre Scisinio tem trajetória familiar no Direito e construiu a maior parte da carreira na Justiça do Rio de Janeiro, especialmente em Niterói, na Região Metropolitana. A operação da PF apura um suposto esquema onde o magistrado teria favorecido empresas dos setores imobiliário e da construção civil por meio de decisões judiciais.
Scisinio foi promovido ao cargo de desembargador pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) em janeiro deste ano. Antes de chegar ao segundo grau, atuou por cerca de duas décadas como titular da 9ª Vara Cível de Niterói. De acordo com informações da Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj), ele iniciou a carreira jurídica como defensor público, em 1982. Dez anos depois, ingressou na magistratura.
Ao longo da carreira como juiz, passou por diferentes comarcas do estado, entre elas Vassouras, Paty do Alferes, Miguel Pereira, Cabo Frio, São Gonçalo e Niterói. Também atuou nas Turmas Recursais dos Juizados Especiais Cíveis da Região dos Lagos e de Niterói. O magistrado ainda exerceu a função de juiz eleitoral titular da 71ª Zona Eleitoral e foi juiz dirigente do 2º Núcleo Regional (NUR) do TJRJ. Também trabalhou como titular das comarcas de São Pedro da Aldeia e Iguaba Grande, na Região dos Lagos.
Antes de ingressar na magistratura, ele ainda exerceu a advocacia. Uma parte de sua carreira também o levou para sala de aula, onde atuou como professor de Direito Civil e Direito Comercial na Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas e de Direito Empresarial da Fundação Getulio Vargas (FGV).
A trajetória no Direito segue uma tradição familiar: seu pai, Alaor Eduardo Scisinio, era advogado e professor e escreveu livros relacionados à defesa da causa racial.
Segundo a PF, Alexandre é investigado por organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro. Agentes federais foram até a casa do magistrado nesta quinta-feira (8) e de seus familiares para investigar se ele teria favorecido empresas dos setores imobiliário e da construção civil por meio de decisões judiciais. Nos endereços, os policiais apreenderam documentos, celulares e dinheiro.
Segundo a corporação, a apuração começou a partir de um procedimento administrativo instaurado pela Corregedoria Geral do TJRJ para investigar a conduta dele. De acordo com a PF, vantagens indevidas teriam sido destinadas à família do desembargador por meio de imóveis, descontos comerciais considerados excepcionais e pagamentos indiretos. Pessoas físicas e empresas ligadas aos investigados também teriam sido utilizadas nas operações, segundo a investigação.
Os fatos relacionados à corrupção teriam ocorrido quando o desembargador ainda atuava na primeira instância. Já as suspeitas de lavagem de dinheiro teriam se estendido posteriormente, segundo a PF.
da Redação