Os segredos do celular que Xandão não entregou
08/10/2026 às 17:30 Direito e Justiça
Alexandre de Moraes construiu sua imagem de “juiz implacável” sobre a premissa de que ninguém está acima da lei. Quebrou sigilos, determinou prisões arbitrárias, apreendeu celulares e mandou periciar dispositivos de jornalistas, empresários e adversários políticos.
Agora, quando as mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro o colocam no centro do escândalo do Banco Master, o ministro se beneficia da blindagem que nunca concedeu a ninguém.
O relatório da PF aponta 52 mensagens enviadas por Vorcaro a um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASÍLIA”, com respostas em textos e imagens de visualização única. Há registros de encontros presenciais, inclusive em residências privadas.
A PF recuperou prints apagados e reconstruiu diálogos a partir do aparelho do banqueiro. O celular de Moraes, porém, nunca foi periciado — e ele mesmo trocou de aparelho e chip em fevereiro de 2026, no meio das investigações.
Além disso, há menções a contatos com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
O próprio Mendonça determinou ações de investigação contra Moraes “sem autorização específica”, segundo a PF. Enquanto isso, o STF adia a discussão sobre a abertura de inquérito contra seu colega, preservando-o por prazos que nenhum réu comum jamais teria.
A sociedade não aceita mais essa justiça de exceção. Se Moraes quer ser tratado como magistrado íntegro, que entregue seu celular, preste depoimento e responda como qualquer cidadão. Se há algo a esconder, que o impeachment, o processo e a lei se encarreguem do resto. Ninguém — absolutamente ninguém — pode estar acima da lei que ele mesmo jurou defender.
da Redação