Pode me chamar de Luiz

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Em 1982, ele registrou o apelido em cartório para ganhar votos.

No debate, Flávio deveria devolver o nome de batismo.

Em 18 de outubro, na Band, Flávio Bolsonaro e o presidente da República vão ficar frente a frente pela primeira vez. No primeiro turno, nenhum dos dois foi a debate algum. Agora, com Flávio à frente por 47,03% a 45,16% dos votos válidos e a eleição marcada para 25 de outubro, o próprio presidente diz que “agora é tête-à-tête”. Este artigo propõe uma pergunta: o que acontece com um político quando o adversário se recusa a pronunciar a marca que ele mesmo registrou em cartório?

Porque é disso que se trata. O homem nasceu Luiz Inácio da Silva. “Lula” era o apelido do sindicalista de São Bernardo do Campo. Em 1982, como pré-candidato ao governo de São Paulo, ele foi ao cartório e incorporou o apelido ao nome civil. O motivo, segundo os perfis do próprio petista, foi ser identificado com facilidade nas urnas e nas cédulas. Não houve homenagem nem tradição de família. Foi uma decisão de campanha. Ele perdeu aquela eleição, em quarto lugar.

De lá para cá, “Lula” deixou de ser nome de pessoa e virou nome de produto. A marca cumpre uma função precisa: transforma um político de 80 anos, que governa o país pela terceira vez, no eterno retirante de Garanhuns. O retirante desperta afeto. O presidente tem de prestar contas.

A minha sugestão a Flávio é simples. No debate, chame o adversário de Luiz, ou de Luiz Inácio, sempre, e nunca de Lula. Isso não é xingamento. É

o nome de batismo dele. Quem debate com “Lula” enfrenta uma lenda.

Quem debate com Luiz Inácio enfrenta um presidente com governo para explicar.

Dirão que é provocação, desrespeito, golpe baixo. Não é. Desrespeito seria usar um apelido pejorativo. Chamar alguém pelo nome com que foi registrado ao nascer é a forma mais neutra de tratamento que existe. Se um homem se sente diminuído ao ouvir o próprio nome, o problema não está em quem o pronuncia. Está na distância entre o homem e o personagem.

Durante 44 anos, o Brasil votou na marca. Em 18 de outubro, vai ter a chance de ouvir o homem. Resta saber qual dos dois vai aparecer no estúdio.

Renato Codeco

Contador e licenciado em matemática, com MBA em Finanças, Auditoria e Controladoria pela FGV, e escreve sobre tributação, contas públicas e instituições.

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