
Precisamos falar daquela paradinha na apuração… e já!

09/10/2026 às 18:52 Opinião

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No futebol, a paradinha na cobrança do pênalti é considerada uma conduta antidesportiva, pois ao simular um chute (que não foi dado), o objetivo do batedor é o de enganar, ludibriar o adversário, no caso, o goleiro. Essa ação é proibida pela FIFA.
É controverso, é verdade, afinal o goleiro também pode simular pular para o lado direito e pular para outro lado ou simplesmente ficar estático A diferença, diriam alguns, poderia se dar na ideia de que o ato do batedor é o de enganar, já o ato do goleiro é o de induzir. Enfim…
E o TSE, a FIFA das eleições, tem o poder de proibir a paradinha nas apurações?
Para começar; não é a primeira, nem a segunda e nem a terceira vez que o sistema de apuração das eleições apresenta a tal “paradinha”, digamos, muito polêmica, como no último domingo. Diga-se, não estou falando de fraude, mas sim de fatos que deixam vestígios para desconfianças. Para se definir como fraude, ou qualquer outra conclusão, é preciso que o TSE convença o eleitor com suas justificativas.
O ministro Kássio Nunes Marques, em coletiva, justificou que a paradinha nas apurações decorreu de um congestionamento de dados no sistema da corte.
Bem, se por um lado não se pode provar qualquer irregularidade com as desconfianças, por outro, não há como comprovar a justificativa apresentada. Há vestígios, em ambas, mas não evidências. No fim, vale a palavra do rei, como diria o outro.
Oi… bem que a FIFA, digo, o TSE poderia acionar a materialidade do voto. Isso acabaria com a polêmica!
Dito isso, vamos ao que está contido no contexto do fato eleitoral (a paradinha) e que gera tanta desconfiança.
Como o ponto político nevrálgico é o Nordeste, onde se concentram as maiores percepções de indícios, eu levantei os números nos nove estados da região para criar uma relação entre os votos válidos com os votos dados aos governadores, senadores, e aos presidenciáveis que foram para o 2º turno. Quem sabe uma correlação nisso…
Como existem multifatores e variantes para se relacionar, à medida da observação de cada olhar, deixo os quadros abaixo para análise de todos - um quadro com os senadores eleitos por estado e outro quadro com votação dos envolvidos - governadores, senadores (e partidos) e aos presidenciáveis - na relação criada, a fim de verificar se identificamos associação estranha.
1º quadro - Senadores eleitos e votos por estado (em vermelho, o partido alvo da polêmica)

Da minha parte, vou citar, e questionar, o estado da Bahia, por percepção pessoal. A Bahia é o único estado do Nordeste que fez barba, cabelo e bigode no tocante a um partido (no caso, o PT), ou seja, reelegeu o governador, fez os dois senadores e deu vantagem no estado ao seu candidato na disputa presidencial.
2ª quadro - Dados:

O que chama a atenção
Lula apresentou acima de um milhão de votos a mais do que o governador eleito e um milhão e meio de votos a mais do que a média dos votos dos senadores petistas. Isso nos leva a crer que muita gente que votou no Lula, não votou no governador eleito (1.038.262 eleitores) e nem nos dois senadores eleitos (1.503.828 eleitores).
Ainda há uma interseção aqui nas diferenças de votos apresentados.

Qual é o significado da interseção observada? A interseção indica que 465.566 eleitores votaram no Lula e nos dois senadores eleitos, mas não votaram para o governador eleito. Faz sentido? Muita gente, né?
Se já não fazia sentido tanto eleitor votar para presidente, mas não votar “nus cumpanhêro” da chapa majoritária, imagina, só!
E qual é a importância deste achado na interseção? Quer ver? O candidato ao Senado pelo partido PL do presidenciável Flávio Bolsonaro, era o João Roma. Ele obteve 2.879.443 votos para o Senado Federal, enquanto Flávio obteve para a presidência 2.442.585 votos. Aqui nós encontramos o mesmo fenômeno, porém, inverso. Eleitores que votaram no senador do PL e que não votaram no presidenciável Flávio, somam 436.858 eleitores.
Observe olhando para os votos da interseção e a diferença dos votos do Flávio e do João Roma. Apenas 28.708 votos separam as distintas diferenças. Esse número é tão raquítico no universo de votos somados do Lula e do Flávio - 8.107.356, que eles podem ser jogados na conta do acaso.
Ah… mas há de se pensar que algum número pode ter sido vitaminado? Ou não?
E, então? A PARADINHA merece um debate sério em um país que se diz sério, e que existe um antídoto para acabar com isso?
Alexandre Siqueira
Vice-presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Independente e Afiliados - AJOIA Brasil - Colunista Jornal da Cidade Online - Autor dos livros Perdeu, Mané! e Jornalismo: a um passo do abismo..., da série Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa! Visite: http://livrariafactus.com.br












