Jorge Hori

Articulista

O maior problema dos pretensos candidatos é o dinheiro

Tem muita gente entusiasmada com possíveis candidaturas nas eleições de 2018. Mas a maioria ou quase todos eles esquecem de perguntar ao seu financeiro, com quanto eles podem contar para a campanha.

Luciano Huck estimulado pelos seus amigos até que se entusiasmou. Mas ai ele resolveu perguntar ao financeiro do PPS, com quanto ele poderia contar. O financeiro lhe disse que poderia gastar até 70 milhões na campanha.

Ele insistiu para saber com quanto o partido iria participar? O financeiro disse que não sabia, mas que o partido só teria 30 milhões do fundo eleitoral. Com a aprovação de participação do fundo partidário poderia contar com um pouco mais. Mas teria que destinar a maior parte para formar uma bancada na Câmara dos Deputados. O que temos não dá para mais que 12 candidatos, dentro do limite individual.

E precisamos ter muito mais candidatos. Vai ser a distribuição da pobreza (sic).

Você vai ter que por dinheiro seu e dos seus amigos e apoiadores.

Luciano Huck voltou a conversar com eles foi direto: "Gente, precisamos de 70 milhões para a campanha. O partido não tem dinheiro. Vocês estão querendo que eu me candidate, então com quanto cada um vai entrar? Vejam, tem que ser pessoa física. E tem mais, vou ter que sair da Globo, então vou ter que usar a minha poupança para sobreviver."

Se o diálogo foi esse ou não, Huck já desistiu.

Joaquim Barbosa também se conversar com o tesoureiro socialista, vai "arrepiar carreira". Mesmo o partido podendo contar com 119 milhões do fundo eleitoral. Mas precisa garantir a reeleição do Governador de Pernambuco e manter a bancada na Câmara Federal.

Bolsonaro acha que não vai precisar gastar o limite. Já é conhecido, tem um eleitorado e acha que poderá fazer uma campanha barata. Bolsonaro acha que com a adesão de diversos deputados à legenda, ampliará o valor do fundo. Alguém precisa explicar a ele que o que vale é a bancada eleita em 2014 e não a atual ou de maio. E quantos deputados se interessarão em ingressar num partido que só tem 9 milhões de reais, insuficientes para o limite de 4 deputados federais. Pelo menos dois comprometidos com os filhos de Bolsonaro.

A ficha ainda não caiu. Mas vai cair e mudará substancialmente as movimentações das candidaturas. Tanto para o MDB como para o PT (sem Lula) não convém ter candidato próprio para a Presidência. Precisam usar o dinheiro para as eleições de governadores e para manter ou aumentar a bancada. Até mesmo, para assegurar maior participação no fundo eleitoral em 2022.

Mesmo os candidatos a deputados federais que estão animados com um candidato próprio do partido, perceberão que esse candidato irá tirar recursos das campanhas deles.

O DEM, se fizer as contas, não terá candidato próprio. Com 89 milhões, terá que destinar prioritariamente os recursos para o aumento da bancada no Congresso. E terá que acenar com esse montante para atrair deputados atuais de pequenos partidos. Um candidato próprio, reduziria aquela verba para 29 milhões.

O pragmatismo falará mais alto que a ideologia. Essa só prevalecerá nos partidos de esquerda.

Sem o financiamento empresarial o jogo eleitoral será outro. Muito diferente do que foi 2014.

E quem não entender terá que ouvir "é o dinheiro, seu estúpido".



Jorge Hori

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