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Na nossa imaginária central de apuração do desespero petista, nem a calculadora quis assumir a responsabilidade pelo resultado.
— Isso só pode estar errado!
— A conta?
— Não! O povo!
Convocaram uma reunião de emergência. A primeira proposta foi criar uma comissão para investigar a falta de gratidão do eleitor. A segunda, descobrir quem autorizou o brasileiro a pensar por conta própria.
Um assessor sugeriu colocar a culpa na onda da direita. Foi repreendido:
— Não fale em onda! Já tem gente procurando colete salva-vidas!
Tentaram espantar o azar. Gastaram o estoque de simpatias, fizeram promessas e consultaram o companheiro especialista em previsões. O gato preto, percebendo que sobraria para ele, pediu transferência para uma padaria.
No corredor, as caixas de mudança começaram a aparecer. Todas com a mesma etiqueta: “FRÁGIL — CONTÉM CERTEZAS ABSOLUTAS.”
Na nossa cena de comédia, Janja perguntou se poderia levar o palácio inteiro, as coisinhas que comprou. O funcionário da segurança respondeu:
— Só se couber na cela, companheira.
O vice consultou discretamente a saída de emergência. Um ministro pediu mais tempo para organizar as gavetas. Outro quis saber se a onda aceitava negociação.
Enquanto isso, o marqueteiro apresentou sua última criação:
— Não perdemos. Apenas conquistamos uma vitória com quantidade insuficiente de votos.
Silêncio na sala.
Lá fora, a onda verde e amarela continuava avançando. Lá dentro, alguém ainda tentava encontrar o controle remoto do eleitor.
A reunião terminou sem consenso.
Mas a compra dos coletes foi aprovada por unanimidade.
Jayme Rizolli
Jornalista.













