URGENTE: Vaza áudio do operador de propinas do Governo Lula e revelação é bizarra
10/10/2026 às 15:04 Política
A Revista Veja acaba de revelar um novo áudio bombástico.
O operador de propinas do Governo Lula diz que iria colocar Daniel Vorcaro ‘na boca do gol’ no Banco do Brasil.
Eis o que diz a Veja:
Mensagens encontradas pela Polícia Federal mostram que uma reunião cancelada de Daniel Vorcaro com integrantes da Fundação Petrobras de Seguridade, a Petros, em fevereiro de 2024, marcou o início das relações do dono do Banco Master com o grupo político do ministro Alexandre Padilha, então chefe das Relações Institucionais da Presidência, que operava negócios nos fundos de pensão de estatais federais.
Na edição que está nas bancas, VEJA revela que o banqueiro afirma ter usado os serviços do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e também do ministro Padilha, além do braço-direito dele no Planalto, Olavo Noleto, para conseguir ser recebido pelos presidentes dos fundos de pensão controlados pelo petismo.
O objetivo era captar cerca de 10 bilhões de reais junto aos fundos previdência de servidores da Petrobras, dos Correios, da Caixa e do Banco do Brasil, valendo-se de papeis podres do Master. Vorcaro ficaria com 9 bilhões de reais e os petistas levariam 1 bilhão de reais em propina pelo lobby.
Quem operava essa ponte entre políticos e dirigentes em nome de Padilha, segundo Vorcaro, era um consultor até aqui conhecido apenas como “Júlio”, que terá sua história contada em detalhes a partir de agora.
17/07/23 – Padilha recebe, em audiência no Planalto, os chefes dos fundos de pensão: Joao Fukunaga (PREVI), Camilo Fernandes dos Santos (POSTALIS), Ricardo Pontes (FUNCEF) e Henrique Jäger (PETROS). (Gil Ferreira/Ascom/SRI/Divulgação)
No celular de Vorcaro, além de mais de 450 mensagens e de 180 telefonemas de Júlio com o banqueiro, a PF encontrou um áudio de maio de 2024, quando as relações com o grupo petista do Planalto já andavam de vento em popa. A mensagem é bastante ilustrativa do poder do operador do grupo de Padilha nos fundos.
“Daniel, o Henrique (Jäger) aqui, com o presidente (da Petros), tá numa reunião do conselho lá. Ele falou que, saindo de lá, vai me ligar para ver a agenda dele, tá. Mas eu falei para ele que eu quero amanhã ou domingo. Agilizar logo para não ficar enrolando – o mais tardar segunda-feira. E… Deixa eu te perguntar: se tiver alguma novidade sobre o Banco do Brasil, você me avisa? Porque qualquer coisinha, já estando ok, eu já ponho você na boca do gol na quarta-feira quando você estiver lá, tá”, disse Júlio.
O nome do operador petista com livre acesso ao Planalto e aos fundos de pensão é Júlio Cezar, identificado como dono de uma consultoria em Goiânia, no estado de Goiás.
O operador, segundo as mensagens do celular de Vorcaro, chegou ao banqueiro quando uma reunião do dono do Master na Petros foi solicitada em fevereiro de 2024.
Naqueles dias, Vorcaro já tinha o apoio de Vaccari – depois de pagar 30 milhões de reais em dinheiro vivo ao Instituto Lula e a um filme sobre o presidente da República, para abrir os cofres dos fundos ao Banco Master. As investidas na Petros, porém, esbarraram em outro círculo de influência no petismo, o grupo de Padilha, apontado como padrinho de Henrique Jäguer, o chefe do fundo.
Quando a reunião com Vorcaro foi desmarcada, um operador do mercado de nome Hamilton Buselin surgiu no celular do banqueiro com uma mensagem: “Salve, Daniel. Aqui é Hamilton Buzelin, ex-diretor de Finanças Corporativas do Máxima. Há muito não nos falamos. Estou com uma demanda de falar com você com uma certa urgência. O assunto é referente à reunião da última quinta-feira, no Rio de Janeiro, que foi cancelada e está para ser reagendada. Se puder falar, seria ótimo, mas preciso que seja pessoalmente”, disse Buzelin.
“Não sei de que tema estamos falando e nem dessa reunião de quinta”, disse Vorcaro. “Foi uma reunião na Petros, no Rio de Janeiro, que seria na quinta”, disse Buzelin.
Como ficará claro adiante, Vorcaro percebeu ali que a reunião na Petros teria que seguir um novo caminho para ocorrer. E ele passava pelo gabinete de Alexandre Padilha no Palácio do Planalto.
O encontro de Hamilton com Vorcaro ocorre em São Paulo, na manhã de 28 de fevereiro de 2024. Depois do contato, já na parte da tarde daquele dia, Buzelin informa Vorcaro sobre uma reunião marcada para o dia 1 de março, às 14 horas.
“Salve Daniel, obrigado por me receber, já está confirmado sexta-feira às 14 horas… Preciso que você e o Júlio se encontrem antes da reunião par que ele possa expor os detalhes que não pudemos conversar hoje. Vocês precisam se conhecer”, diz Buzelin.
“Júlio já vai indo para o palácio e vai te esperar lá”
A reunião em questão foi a primeira de Vorcaro com Alexandre Padilha. Antes da conversa, no entanto, Júlio, o operador, foi apresentado ao banqueiro para estabelecer os termos da conversa. Tudo acontece no dia 1º de março, a data do encontro no Planalto.
Um áudio de Hamilton mostra toda a dinâmica que antecipou a reunião do banqueiro com Padilha. “Daniel, o Júlio já vai indo para o palácio e vai te esperar lá. O Palácio da Alvorada (na verdade, Planalto, mas ele faz confusão), não tem como você errar para chegar lá. Quando você chegar lá, você dá um toque para ele e ele desce para de pegar na portaria. É só porque ele não quer deixar muito estourar a hora. Ele já conseguiu fazer com que vocês cheguem por lá por volta de duas e meia, mas ele já quer ir antes porque ele acha que as pessoas já estão lá há muito tempo e isso não é bom porque nego arranja o que fazer”, disse Hamilton a Vorcaro.
Por volte de 14h10, Júlio manda uma mensagem a Vorcaro para avisar que já estava no Planalto: “Daniel, já estou aqui no palácio”. Vorcaro conversa com ele por telefone e a reunião com Padilha se desenvolve.
Na proposta de delação em que trata do assunto, Vorcaro explica que conheceu Padilha e Olavo Noleto e outros interlocutores na reunião.
“Nesse dia, estavam também o assessor Olavo, Fernando, o primo desse Olavo, e o próprio Júlio. Nessa conversa, Padilha mais ouviu do que falou, mas afirmou que ‘o que eu tratasse com Olavo seria como se eu estivesse tratando com o próprio Padilha”, diz Vorcaro.
Depois dessa conversa, Vorcaro diz que recebeu Júlio, Olavo e o primo dele para uma reunião reservada em Brasília. “Júlio, Olavo e seu primo foram em minha casa para uma conversa aberta: ‘só haveria um jeito de entrar na Previ, Petros e Postalis: mediante pagamento de propina também na ordem de 10% de tudo o que o banco captasse’”, diz.
Estabelecido o “preço” pelo acesso do Master aos fundos, a conversa com Henrique Jäguer, da Petros, que havia sido cancelada, é remarcada de modo relâmpago e acontece três dias depois do encontro com Padilha no Planalto.
Numa série de mensagens, em 4 de março, Júlio manda o endereço da Petros para Vorcaro e avisa: “Estou no café ao lado. Aguardando você”, diz. “Estou quase chegando. Preciso falar antes com você”, diz Vorcaro.
Depois da reunião com Alexandre Padilha no Planalto, Vorcaro consegue destravar encontro com chefe de fundo de pensão, que ocorre três dias depois da conversa no palácio Foto: Ricardo Stuckert/PR (Ricardo Stuckert/PR)
Depois desse dia, o operador de Padilha nos fundos de pensão começou a operar juntamente com seus parceiros para abrir os caminhos de Vorcaro. Mensagens mostram que o banqueiro foi pessoalmente ao Postalis, em Brasília, se reunir com a cúpula do fundo. O prestígio da turma de Padilha é tão grande que Júlio avisa que o dirigente do fundo, com uma das agendas mais concorridas de Brasília, iria “travar” todos compromissos só para receber o banqueiro.
“Boa tarde, Daniel, preciso que você envie o e-mail pro presidente da Postalis… Amanhã ele vai travar a agenda do dia 2 de abril na parte da tarde só pra você!!! Me avisa quando enviar para avisá-lo”, diz Júlio.
Com esse clima de “tapete vermelho” na chegada aos fundos, o banqueiro também conseguiu reuniões na Caixa e Banco do Brasil.
“O e-mail que pediram Petros”, diz Vorcaro ao operador, sobre o contato com a cúpula do fundo que ele havia feito, em 8 de abril de 2024.
“Já repassei. Agora é o amigo com dever dele. Ontem estive com ele”, disse operador. “O da Petros já foi? Cobrando?”, insistiu Vorcaro. “Vou te manter informado. Já sim”, disse Júlio.
“Vamos pressionar pra boletar (emitir o documento que oficializa o investimento do fundo de pensão no Master). Postalis evoluiu?”, cobrou Vorcaro no mesmo dia.
“Evoluiu. Mandando e-mail também. Do BB essa semana resolve. Semana que vem reunião lá. Aí alinho contigo na sua agenda”, disse Júlio sobre Previ, o fundo dos servidores do BB. “Mas vamos tentar concluir os que abrimos”, insiste Vorcaro.
Propina de 500.000 reais
Havia, naqueles dias, no entanto, um obstáculo concreto para que Vorcaro pudesse acessar os fundos controlados pelo petismo. O Banco Master, então com nota de risco baixa para tocar captações desse tipo, precisaria entrar na chamada “lista exaustiva”, um documento oficial publicado pela Secretaria de Regime Próprio e Complementar do Ministério da Previdência Social que mostra as instituições financeiras autorizadas a receber recursos dos fundos de previdência estatais.
A inclusão se deu em 29 de abril de 2024. Coube a Augusto Lima, o sócio com ligações no universo petista, anunciar a Vorcaro a boa nova. “Entramos na lista exaustiva. Resolvido”, disse Lima. “Você é foda”, reagiu Vorcaro, que saiu acionando todos os operadores de fundos do banco para que acelerassem as captações, agora com aval da gestão petista.
As conversas de Vorcaro com o operador ligado ao grupo de Padilha mostram que ele cobrou um pagamento de 500.000 reais ao banqueiro no mesmo dia em que o Master foi incluído na lista do governo de bancos autorizados a operar nos fundos. Seria um adiantamento da propina. Vorcaro pagou e deu um aviso: “Quero ver agora você virar uma boleta de verdade”, disse o banqueiro ao operador. “Pode deixar. É empenho de vida, Daniel, isso”, disse Júlio.
Ao pedir o pagamento de propina, Júlio justificou. “Daniel, desculpa tá apertando, mas é que você é a única pessoa que eu possa falar isso!! Preciso ver se você consegue me ajudar… Pediram cinco dias úteis pra liberar minha conta, te passo na hora que liberar!! Quero ir pro jantar tranquilo”, disse o operador.
O “jantar” em questão, foi o primeiro na casa de Vorcaro em Brasília que reuniu Padilha, Olavo, Fernando conhecido como primo de Olavo e Júlio, ocorrido dois dias depois de o governo liberar o Master a operar nos fundos.
Com todos os negócios nos fundos andando – graças à influência dos petistas –, tudo parecia articulado para que o banqueiro conseguisse salvar o Master da bancarrota a partir da estrutura armada pelo petismo nos fundos que renderia 8 bilhões, sendo 10% disso aos petistas.
“O grupo de Padilha e os dirigentes da Petros, Postalis e BB preferiram segurar”
Essa ilusão de que tudo que daria certo durou pouco mais de um mês. Em julho daquele ano, um evento não previsto por Vorcaro e seus aliados petistas jogou tudo por terra. Na primeira tentativa do Master de empurrar 500 milhões de reais em letras financeiras na Caixa Econômica Federal, a operação vazou para o jornal O Globo. A jornalista Malu Gaspar noticiou, em 12 de julho de 2024, que dois gerentes da Caixa haviam sido destituídos de seus cargos, após emitirem parecer contra a operação de Vorcaro e do grupo de Padilha.
Escândalo envolvendo papeis do Master na Caixa prejudica todo o looby feito pelo grupo de Alexandre Padilha em favor de Vorcaro nos fundos de pensão, diz o banqueiro (Leonardo Sá/Ag. Senado)
“Com as matérias difundidas na imprensa em julho de 2024 sobre a suposta perda de cargo de gestores da Caixa Asset que teriam sido contrários ao investimento em LFs do Banco Master, o grupo de Padilha e os dirigentes da Petros, Postalis e BB preferiram segurar a decisão de fazer o investimento”, diz Vorcaro num anexo.
A partir do escândalo da Caixa, Vorcaro continuaria em contato com o grupo de Padilha e conseguiria captar recursos em fundos municipais em que Júlio e seus aliados tinham influência. Segundo Vorcaro, a mesma lógica de pagamento de 10% de propina ao ministro de Lula e seus operadores foi mantida, rendendo alguns milhões de reais ao grupo.
Essa parceria fez com que Vorcaro ganhasse créditos no Planalto, levando Padilha e seu secretário-executivo a atuarem para que Lula recebesse o banqueiro. Em 23 de outubro de 2024, Vorcaro deu um segundo jantar para Padilha, Olavo e seus operadores em Brasília.
“Daniel, acertado!!!! Padilha e Olavo amanhã, às 22 horas, um jantar contigo em bsb (sic)… Vai 5 pessoas… Padilha, Olavo, o Fernando (primo), um assessor do Padilha e eu”, escreveu Júlio ao banqueiro na véspera.
No dia seguinte ao encontro, a influência dos petistas no governo rendeu novos frutos a Vorcaro, que naqueles dias estava com as captações nos fundos bloqueadas devido a reportagens sobre ilegalidades no Master. O possível encontro com Lula chega a ser articulado sem sucesso.
“Daniel, liga pro Olavo… O Pr vai te receber…”, escreveu Júlio no dia 24 de outubro, por volta de 14h da tarde. “Daniel, tô insistindo aqui porque já conversaram com PR e ele gostou da conversa! Olavo pediu pra retornar para ele para fazer agenda contigo”, complementou o operador.
Vorcaro, por algum motivo, demorou para responder sobre a reunião com Lula, e Júlio insistiu: “Daniel, não esquece do Olavo. Ele vai te passar informações. E fazer agenda. Porque semana que vem é sua reunião importante”, disse Júlio.
O encontro com Lula só viria a acontecer em dezembro, a partir de uma articulação do advogado Walfrido Warde junto ao então chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana, o Marcola, em dezembro daquele mesmo ano. As mensagens obtidas por VEJA sugerem, no entanto, que o petista pode ter tido outro encontro com o banqueiro ainda não revelado.
As mensagens do celular de Vorcaro revelam que o banqueiro seguiu sem conseguir captar recursos nos fundos federais, apesar de toda a articulação de Júlio no governo. Já em meados de 2025, com a crise do Master escalando e a falta de sucesso na empreitada, Vorcaro perdeu a paciência com o operador petista.
“Estamos já há mais de 12 meses tentando uma boleta (um investimento de fundo no banco). Não dá pra mobilizar a equipe para novos temas sem concluir nenhum”, disse Vorcaro em junho de 2025. “Falhou de novo o negócio?”, insistiu o banqueiro.
O operador alegou que as “fake news” sobre as fraudes do Master atrapalhavam as possíveis captações junto aos fundos.
No início de agosto, depois de emprestar um avião para que o operador viajasse tentar mais uma vez liberar verbas nos fundos ao Master sem sucesso, Vorcaro decidiu encerrar as conversas.
“Cara, essa é a última chance. Se não entrar nada até final da semana que vem, eu gostaria que você encerrasse o trabalho. Já consumiu muito tempo, dinheiro e recursos nossos”, disse o banqueiro.
“Concordo!”, afirmou Júlio.
“Sexta que vem — não entrando — vida que segue. Lá na frente bolamos outra coisa juntos”, disse o banqueiro.
A última mensagem de Júlio a Vorcaro foi registrada no celular um mês antes da prisão do banqueiro, em novembro de 2025. Era um novo esquema:
“Bom dia Daniel, tudo bem? Daniel, quero falar contigo… Tenho uma estruturação para comprar suas ‘LFs’ (letras financeiras) dos RPPS (fundos de pensão municipais) que você vendeu pra te aliviar. Faço dentro dos fundos e ajudar na capitalização (sic). Consigo capitalizar através de fundos que tenho aqui”, disse Júlio.
Vorcaro não respondeu.
Alexandre Padilha, Augusto Lima e Olavo Noleto e o presidente Lula negaram qualquer relação com negócios de Vorcaro no governo e refutaram, em notas, as acusações do banqueiro.
da Redação