O contraste entre manifestações políticas reacende o debate sobre depredação, responsabilidade e o tratamento dispensado pela Justiça brasileira aos atos de vandalismo.
Parece que, no Brasil, até o vandalismo corre o risco de ganhar uma classificação ideológica. Dependendo de quem protesta, a depredação do patrimônio público pode ser tratada como um grave ataque à democracia ou relativizada em nome da liberdade de manifestação.
A polêmica envolvendo a Avenida Paulista levanta uma pergunta incômoda: existe vandalismo do bem?
A liberdade de manifestação é um direito constitucional. Mas quebrar, destruir, pichar e deixar um rastro de sujeira não faz parte desse direito. A democracia garante a liberdade de protestar, não uma autorização para depredar.
E onde está a Justiça brasileira quando isso acontece? Onde estão as investigações, a identificação dos responsáveis e as punições previstas em lei?
O rigor da lei não pode depender da cor da bandeira, do partido político ou da preferência ideológica de quem participa de uma manifestação.
Se o vandalismo é crime, deve ser tratado como crime. Seja praticado por militantes de esquerda, de direita ou de qualquer outra corrente política.
Os fatos registrados após o ato de domingo, 11 de outubro, tornam a cobrança ainda mais pertinente. A Polícia Militar relatou tumultos, pichações e depredações durante a dispersão dos manifestantes. O Metrô identificou danos em oito placas de vidro, além de pichações e adesivos em instalações das estações.
Na segunda-feira, funcionários da Prefeitura e do Metrô precisaram trabalhar para remover pichações, recolher resíduos e reparar os estragos. Ou seja, enquanto alguns celebravam a manifestação, trabalhadores tinham a tarefa de limpar suas consequências.
É uma ironia difícil de ignorar: em um movimento que se apresenta como defensor dos trabalhadores, foram justamente trabalhadores que tiveram de enfrentar a sujeira e os danos deixados para trás.
A Polícia Civil deverá utilizar imagens de câmeras de segurança para investigar os responsáveis. É fundamental que a investigação avance e que eventuais autores sejam responsabilizados individualmente, com respeito ao devido processo legal.
A democracia não pode ter uma régua para a esquerda e outra para a direita.
Porque patrimônio público não pertence a Lula, a Bolsonaro ou a qualquer partido. Pertence ao povo brasileiro.
E, quando alguém o destrói, quem paga a conta é justamente o cidadão que trabalha, produz e sustenta o Estado com seus impostos.
No fim das contas, fica a pergunta: se a depredação fosse praticada por adversários políticos, a reação das autoridades seria a mesma?
Veja o vídeo:
Emílio Kerber Filho
Escritor e Estrategista Político. Criador do método Arquitetura Eleitoral:
https://emiliokerber.com.br/
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