
O engodo das pesquisas eleitorais prossegue no 2º turno: A “prostituição” dos institutos de pesquisa

15/10/2026 às 19:19 Opinião

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George Gallup (1901-1984) é considerado o inventor da pesquisa de opinião moderna baseada em amostragem científica. Em 1936, acertou a vitória de Franklin Roosevelt contra Alf Landon, enquanto a concorrente "Literary Digest", que usava outros métodos, errou grosseiramente.
Desde então, a técnica de amostragem científica espalhou-se pelo mundo e tornou-se o padrão das pesquisas eleitorais. Mesmo assim, erros sistemáticos a favor de um lado do espectro político continuaram a ocorrer, especialmente a subestimação de candidatos de direita ou conservadores.
O que acontece quando as pesquisas erram? Nada, apenas perda de reputação e ceticismo do público. A imprensa tradicional não denuncia, desde que esses erros favoreçam a esquerda. Curiosamente, é um padrão que se repete no mundo inteiro.
Dá para confiar em pesquisas? Não há “punição” por errar a favor de um lado. Donald Trump foi subestimado nas eleições americanas em 2016, 2020 e 2024. Aqui no Brasil, quase todas as pesquisas erraram de 4 a 5 pontos a favor de Lula e contra Flávio Bolsonaro, em falhas sistemáticas relevantes. O padrão se repetiu em relação a 2018 e 2022.
A Quaest — que deu Marina e Tebet empatadas com Derrite e do Prado, que deu Benedita (que não conseguiu eleger-se) em primeiro lugar no Rio de Janeiro, que deu Eduardo Paes 10 pontos à frente de Douglas Ruas (que foi eleito no primeiro turno) — acaba de vaticinar, em 14 de outubro, empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula no segundo turno, tanto em votos totais como em votos válidos: Flávio Bolsonaro 46%, Lula 44%, branco/nulo 9%, indecisos 1% (e, nos votos válidos, 51% para Flávio e 49% para Lula). Usei o termo “vaticinar” porque esses institutos parecem favorecer a profecia à estatística.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) promete uma CPI dos institutos de pesquisa. No dia 5 de outubro de 2026, logo após o primeiro turno, ele postou no X:
“Em Minas, o Datafolha deu 5 pontos pra Lula na frente. Terminou Flávio 5 pontos na frente do Lula. Prometi e lutarei pra isso: faremos a CPI dos institutos de pesquisa ano que vem.”
Os institutos de pesquisas aqui no Brasil ignoram propositadamente o que já mudou no segundo turno. Partidos e lideranças que não haviam declarado apoio formal a Flávio no primeiro turno passaram a apoiá-lo no segundo, o que representa mais votos para ele. A União Brasil e o Progressistas (PP), que ficaram neutros no primeiro turno, formalizaram apoio por unanimidade das executivas. O Republicanos, que não integrava a coligação, anunciou adesão após o resultado, com articulação de Tarcísio de Freitas. O Novo, que tinha candidato próprio (Romeu Zema), formalizou o apoio depois da declaração individual de Zema. O Podemos, neutro no primeiro turno, também fechou com Flávio.
O MDB ficou dividido: 17 diretórios anunciaram apoio a Flávio e 10 ficaram com Lula. O PSD manteve neutralidade oficial, com o apoio individual mais relevante vindo de Ronaldo Caiado. Além deles, Augusto Cury (Avante) e Clariana Barão (DC) também se posicionaram a favor de Flávio.
No Norte, Flávio recebeu apoio de governadores eleitos ou candidatos no Pará (Dr. Daniel, do Podemos), Rondônia, Roraima, Acre e Tocantins (em ambos os casos, os dois candidatos ao governo), além da estrutura do PL no Amazonas. No Nordeste, o apoio se concentra na estrutura do PL e em aliados locais, como Cabo Gilberto Silva e Efraim Filho (PB), André Fernandes (CE) e Marcelo Queiroga (PB).
Até o momento, nenhum partido ou candidato relevante que estava indeciso ou neutro anunciou apoio formal a Lula no segundo turno. Os apoios que Lula recebeu vieram de legendas de esquerda que já estavam alinhadas a ele (ou a seus candidatos) no primeiro turno.
Façam as contas. Dia 25 é 22.
Lucia Sweet
Jornalista











