
Quando o “dono” do dinheiro passa a editar a notícia...

16/10/2026 às 06:28 Denúncias

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Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, reveladas pelo Estadão, mostram o controlador do Banco Master editando reportagens, derrubando textos e sugerindo pautas ao portal Metrópoles. O canal era direto: a CEO do site, Lilian Tahan, interlocutora do banqueiro nas conversas. Procurada, ela não se manifestou.
Não se trata da proximidade entre fonte e jornalista, comum em qualquer redação. Trata-se de um agente econômico investigado decidindo o que o leitor lê e o que deixa de ler sobre ele mesmo e seus interesses. É a negação do próprio ofício.
O episódio tem um pano de fundo que o leitor precisa conhecer. Com base em relatório do Coaf, o Estadão já havia publicado que o Metrópoles, do ex-senador cassado Luiz Estevão, recebeu R$ 27,2 milhões do Master entre 2024 e 2025, repassados em seguida a empresas da família do dono. O Coaf classificou os pagamentos como incompatíveis com a receita do portal. O Metrópoles revidou acusando uma operação de R$ 142 milhões no Estadão, parte por meio de empresa de Maurício Quadrado, sócio de Vorcaro.
No mesmo dia da nova revelação, o Grupo Globo demitiu seu diretor-geral após o vazamento de conversas dele com o banqueiro.
O caso Master já atravessou o sistema financeiro, a política e o Supremo. Agora alcança as redações que deveriam fiscalizá-lo.
O dano não se limita ao Metrópoles: atinge a credibilidade de toda a cobertura e oferece aos acusados no escândalo, inclusive no STF, o pretexto de que tudo não passa de imprensa interessada.
Quando o dinheiro do investigado chega à pauta, o leitor perde a referência de quem fala por quem.
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