João Henrique de Miranda Sá

Jornalista independente em Campo Grande - MS.

"Calma, Beth, Calma!" - um chamado à consciência

Que não se derrame

Certa euforia paira nervosa, nos ares do nosso país, que nunca mais será o mesmo de outrora.

 Creio que o Brasil, nosso povo, e o sítio de nosso Estado, sejam objetos duma revolução moral que se opera em todo o planeta.

 Em quase todo canto, há discussão acalorada, acesa pelo julgamento e condenação de Lula.

 Uns malham o criminoso como fossem realmente santos. Outros defendem-no como fora ele, Lula, a divindade encarnada.

 “Calma, Beth, calma! ”

 Estou convencido de que todos estão certos, e também estão todos errados.

 Todos.

 Algumas coisas são sumariamente ignoradas e que podem justificar grande parte dessa grita, que se assemelha demais com conversa sobre paixões:

Ninguém que pise a Terra hoje tem capacidade da percepção plena de absolutamente nada; em outras palavras: por mais que uma pessoa tenha informações privilegiadas, conhecimento e experiência muita, seu campo de visão, seja lá do que for, sempre será limitado, circunscrito aos aspectos do contexto em que aquele observador está inserido;
Quem concorda com o item ‘a’ não poderá discordar do fato de que “todos estão certos e todos estão errados”;
Absolutamente nada podemos fazer para mudar ou corrigir defeito alheio;
A mudança efetiva numa coletividade, opera-se a partir de cada indivíduo, de dentro para fora. Fruto da conscientização, jamais da coerção.
Pontuados os fatos acima, fica mais fácil entender, sem necessidade de discussão ou briga, que está dentro de cada um de nós a solução que dê um fim às aberrações de conduta da nossa sociedade.

Quando falamos “nossa sociedade” leiam-se, por gentileza, “o povo todo e eu”. Não são (a sociedade) um ente externo do qual você e eu não fazemos parte. Quando apontamos o dedo no nariz “desse povo”, é no nosso nariz que tocamos o dedo, oras…

Outros fatos importantes, estranhos a muitos de nós, desconhecidos de muitos outros, e já familiares a uma leva de gente: Só há o bem. O “mal” é um conceito que caracteriza, distingue e descreve onde o bem é ausente.

Só há amor. O antônimo de amor, ao contrário do que muitos pensam, é indiferença.
Se todas essas teorias pontuadas e descritas neste artigo se confirmarem pelo tempo, pela experiência e circunstâncias vindouras, restará verdadeiro o seguinte preceito:

Cada um de nós, sem exceção, traz consigo ao plano físico, ao mundo manifestado, um conjunto de talentos; ao menos uma vocação, que lhe permitam o êxito numa ou num conjunto de tarefas relevantes à humanidade.

Há quem leve a vida na flauta e se acomode na resistência do nada fazer; do não contribuir ou acrescentar; as pessoas que não somam nada, senão apenas consomem.

Há quem se atire, com ou sem medo, no desconhecido campo a lavrar, semeando o que trouxe consigo, e o que aprende e amealha pelo caminho.

Entre os extremos, há de tudo.

Agora chegamos ao ponto nevrálgico deste raciocínio.

Considerando tudo o que foi exposto acima, mesmo apenas como meras teorias a manter em reserva, a conclusão a que chego é:

Tanto indivíduos que deixam um legado relevante à humanidade, que transformam a Terra e a sociedade para melhor, quanto os que erram feio e bastante. Todos eles tinham uma missão para o bem.

Legados como os de Madre Tereza e Chico Xavier, são de relevância inegável, chegam a ser comoventes. Pessoas que traziam em si, potencial para êxito em tarefas enormes. Tais ‘potenciais’ não lhes foram dados, assim, de mãos beijadas. Cada qual edificado por cada um deles, como fruto de sua experiência vidão afora, desde que surgiram no universo como fagulha inteligente.

Os legados de Neros, Hitlers e Lulas são inegavelmente relevantes, pelo volume e alcance nocivo e danoso de suas deliberações. Pausa para pensar.

O raro leitor que terá chegado até aqui neste extenso raciocínio, não se assuste, pois não vim defender pessoas que causam perdas e danos, dor e sofrimento. Longe de mim.

O convite que deixo depois de todo o exposto é o de que busquem dentro de si alguma coisa, que possam mudar para fazer a humanidade melhor.  Olhe para dentro de si e verão, total ou parcialmente, algo que cada um dos senhores e senhoras podem efetivamente mudar, transformar, depurar, trazer à tona melhor que está lá dentro, oculto.

Dedique sua energia à transformação de si próprio.

Dedique aos que caíram em suas lutas, que faliram nos seus propósitos, a tolerância de quem estende a mão ao irmão que lhe foi injusto, ingrato ou cruel; a caridade de quem se sabe imperfeito, igualmente merecedor da tolerância alheia.

Estou tentando.

João Henrique de Miranda Sá

Jornalista independente em Campo Grande - MS.

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