
Quatro anos depois, continuamos os mesmos!
Lula enfrentou Flávio, mas parecia ainda debater com Jair Bolsonaro.

20/10/2026 às 06:46 Opinião

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O Brasil esperou quatro anos por um novo confronto presidencial. No domingo, 18 de outubro de 2026, no debate promovido pela TV Bandeirantes, em São Paulo, Lula e Flávio Bolsonaro ficaram frente a frente no segundo turno das eleições presidenciais. E o que mudou desde 2022? Praticamente nada! Lula continua de um lado e Bolsonaro do outro, agora representado pelo filho. Mudou a geração, mas não o confronto. O velho estilo “pé na porta” permanece: vai lá, ataca, destrói, detona o adversário!
O início foi vergonhoso. Lula entrou disposto a atacar e, diante de um Flávio que não correspondia às provocações, insistiu nas mesmas perguntas, repetidas com ironia. Ao longo do debate, o candidato mais jovem apresentou propostas e evitou transformar a diferença de idade em ofensa pessoal.
Lula pareceu subestimar o adversário. Em suas ironias sobre a possibilidade de Flávio chegar à Presidência, demonstrou uma superioridade quase desdenhosa, como se a vitória do candidato nas urnas fosse inconcebível.
Sua trajetória carrega controvérsias e escândalos de corrupção que impedem qualquer pretensão de superioridade moral.
O momento mais grave foi quando Lula afirmou que Flávio perderia a imunidade e teria problemas, pois seus inquéritos passariam a andar. A declaração, registrada durante o debate, soou para mim como uma ameaça.
Que democracia é essa em que um presidente, durante um debate eleitoral, fala sobre processos judiciais contra seu adversário como se pudesse determinar seu andamento?
Até onde poderá chegar essa disposição de revanche? Não bastaram os acontecimentos de 8 de janeiro, as perseguições judiciais e a prisão arbitrária de Jair Bolsonaro? A impressão é de que a vingança continua correndo nas veias da política brasileira.
A esquerda tentou aniquilar o bolsonarismo, mas subestimou sua força. A perseguição a Jair Bolsonaro não apagou seu legado. No debate, foi o filho quem ocupou seu lugar diante de Lula, representando uma família fortalecida nas urnas.
A ironia é que, ao tentar sepultar o bolsonarismo, seus adversários podem ter contribuído para fortalecê-lo. Em vários momentos, Lula parecia ainda debater com Jair Bolsonaro, dirigindo-se ao filho como se estivesse diante do pai. O adversário havia mudado, mas não aquele que ocupava seu imaginário político.
Flávio demonstrou serenidade e maturidade diante das provocações em sua estreia em disputas presidenciais. Se é tão insignificante politicamente, por que tanta necessidade de diminuí-lo e intimidá-lo?
Na minha percepção, o lulismo se fortaleceu nesses quatro anos, perigosamente alimentado pelo ressentimento e pelo ódio político. As recentes manifestações da esquerda na Avenida Paulista, com registros de tumultos e depredação durante a dispersão, acenderam um alerta sobre a intolerância. Enquanto a direita questiona prisões, condenações e garantias judiciais, vejo crescer entre seus adversários uma agressividade preocupante.
A polarização transformou adversários em inimigos e fez da hostilidade um espetáculo eleitoral. Não se derrota um movimento político mantendo seus representantes presos; a democracia exige liberdade, justiça e respeito aos adversários.
Quatro anos depois, seguimos confundindo esperteza com sabedoria, arrogância com autoridade e vingança com justiça.
O Brasil não precisa apenas de planos de governo. Precisa, sobretudo, de valores morais, equilíbrio e sabedoria. Nenhuma democracia será verdadeiramente livre enquanto a derrota de um adversário for tratada como autorização para destruí-lo.
Bernadete Freire Campos
Cidadã brasileira, especialista em neurociência, estudiosa do comportamento humano no contexto político.












