
A libertação de Daniel Vorcaro: É apenas uma questão de tempo...

20/10/2026 às 10:40 Opinião

Siga o Jornal da Cidade Online no Google
Acompanhe as principais notícias do momento direto nos resultados de busca.
A defesa de Daniel Vorcaro cobrou do presidente do Supremo Tribunal Federal-STF, Edson Fachin, a liberdade do banqueiro e ex-controlador do extinto Banco Master, principal investigado nos crimes financeiros atribuídos ao banco e a ele próprio.
Acusado de cometer os maiores crimes e fraudes financeiras do país, além de gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro, Vorcaro quer ser libertado sob o fundamento de que há um pedido de revogação de sua prisão preventiva parado em um "limbo" devido a um conflito de competência e de indefinição sobre a relatoria do caso Master, atualmente sob a responsabilidade do presidente do STF, ministro Edson Fachin.
A defesa sustenta que ele está preso há mais de oito meses sem indiciamento formal ou ação penal, e que outros investigados em situação semelhante já foram soltos. Vorcaro está no Complexo Penitenciário da Papuda (Papudinha) em Brasília, após ter a prisão preventiva decretada na Operação Compliance Zero. Seus advogados alegam excesso de prazo na prisão preventiva decretada em março de 2026, pedindo a revogação da medida.
A estratégia é apresentar eventuais divisões ou empates de votos na Segunda Turma do tribunal em razão do cenário de impasses e discussões sobre impedimentos e pedidos de vista. Isso poderia favorecer uma decisão libertando Vorcaro ou a conversão de sua detenção carcerária em prisão domiciliar. Os advogados apostam na divisão ocorrida entre os ministros da Corte, digladiando entre si quase que diariamente. Até o presente momento o tribunal negou todos os pedidos de liberdade para Vorcaro.
O problema agora é que o relator do processo é o ministro Edson Fachin, cuja fraqueza é apontada pela imprensa como impossível de resistir à pressão do que ela vem denominando de “banda podre” do STF, defensora da liberdade do banqueiro. A expressão "banda podre" reflete o debate e as fortes críticas da opinião pública e de setores políticos após a revelação de que dados do celular de Vorcaro citam ou fazem referências a pelo menos seis ministros do STF e do STJ.
Daí a existência de um movimento para conter a crise e evitar possíveis processos de impeachment de ministros no Senado a partir de 2027.
Segundo a imprensa, o STF e a Polícia Federal (PF) costuraram um acordo pelo qual a PF entregaria um relatório minucioso e descritivo ao presidente Fachin contendo todas as citações a magistrados encontradas nos aparelhos de Vorcaro. Esse relatório será enviado à Procuradoria-Geral da República (PGR) para parecer e, depois, caberá ao plenário da Corte decidir, de forma conjunta, se abre ou não investigações contra seus próprios membros. Tem gente que acredita que o fato pode resultar em ajustes de contas, mas a maioria sabe que nada acontecerá.
Por enquanto o STF mantém Vorcaro detido enquanto tenta organizar as investigações institucionais provocadas pelas mensagens vazadas. Assim que conseguir, arranjará razões jurídicas para libertar o prisioneiro. Outra balela é dizer que o novo Senado pode impichar alguns ministros porque contará com 54 senadores favoráveis ao impeachment de alguns membros da Corte. Como o Senado atingiu a marca de dois terços (54 dos 81 senadores), esse número pode aprovar qualquer impeachment de ministro. Esse número é uma regra definida em liminar pelo ministro Gilmar Mendes em dezembro de 2025. O problema é que mais da metade dos senadores eleitos que são favoráveis ao impeachment é investigada ou citada em investigações perante o STF. Alguns deles já estão com processo na Corte, e outros devem ser processados após a posse no Senado.
Ao todo, 16 dos 31 novos senadores pró-impeachment são investigados ou citados em apurações em curso. O STF é o órgão encarregado de processar e julgar crimes comuns cometidos por congressistas (deputados e senadores) no exercício do cargo e em razão dele. Como os próprios ministros visados atuam como relatores desses inquéritos e ações, eles gerenciam diretamente o andamento de cada caso. Assim, se mais da metade dos senadores favoráveis ao impeachment já foi alvo, é citada ou está sob investigação na Corte, isso pode funcionar como um instrumento de pressão ou "moeda de troca" institucional. Os processos contra os senadores podem se tornar um instrumento de poder dos ministros contra o andamento de eventuais tentativas de impeachment. Alguns senadores pró-impeachment lembram que o Legislativo tem o poder de suspender o andamento de ações penais contra seus integrantes, a pedido dos partidos, conforme aconteceu com o deputado federal e atualmente senador eleito por Goiás, Gustavo Gayer, mas esse fato isolado não serve para impedir a impunidade jurídica e institucional atualmente existente no Brasil. Por isso não devemos nos espantar quando Vorcaro for libertado. É apenas uma questão de tempo.
Luiz Holanda
Advogado e professor universitário







