
O desespero é tanto que até o papel higiênico pode virar prova!

21/10/2026 às 20:37 Opinião

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Quando a política invade os tribunais e a Justiça vira espetáculo, até uma ida ao banheiro pode render manchetes.
Parece que a temporada de caça aos escândalos políticos ganhou um novo capítulo.
E, pelo andar da carruagem, já podemos imaginar que, daqui a pouco, até o papel higiênico utilizado por Flávio Bolsonaro poderá despertar a curiosidade de algum investigador.
Afinal, será que ele jogou o papel adequadamente no vaso sanitário? Deixou cair no chão? Utilizou a quantidade recomendada? Respeitou as normas de descarte? Jogou na lixeira direito?
Cuidado! Dependendo da criatividade de alguns comentaristas, isso ainda poderá virar uma ameaça à democracia!
Brincadeiras à parte, a notícia de que Alexandre de Moraes foi sorteado relator de mais um caso envolvendo Flávio Bolsonaro chega justamente quando o país se aproxima de uma eleição presidencial decisiva.
Desta vez, as suspeitas envolvem possíveis operações de lavagem de dinheiro relacionadas ao advogado Willer Tomaz, empresas do setor de apostas e documentos bancários que, segundo a Polícia Federal, fazem referência ao senador.
Flávio nega irregularidades e afirma que sua relação com o advogado é de amizade.
É evidente que documentos bancários e eventuais movimentações suspeitas merecem investigação. Ninguém, absolutamente ninguém, está acima da lei.
Mas existe uma diferença gigantesca entre investigar um possível crime e explorar politicamente uma suspeita como se a condenação já estivesse escrita.
E essa diferença parece desaparecer com assustadora facilidade quando o assunto envolve determinados personagens da política brasileira.
O cidadão abre o jornal e encontra uma investigação. Liga a televisão e encontra uma suspeita. Entra nas redes sociais e descobre que alguém já preparou a sentença, escolheu a pena e convocou os comentaristas para o julgamento.
Tudo isso antes que as provas tenham sido definitivamente examinadas.
Eis o espetáculo!
É nesse ambiente que nasce a percepção de uma busca desesperada por qualquer coisa capaz de comprometer politicamente Flávio Bolsonaro.
Não importa o tamanho da suspeita. Uma reunião vira manchete, uma viagem desperta interpretações, uma amizade passa a ser examinada e um documento ganha proporções extraordinárias. Até mesmo o banho sem shampoo pode ser problema.
Talvez, em breve, algum especialista em investigação sanitária descubra que o senador deixou a tampa do vaso levantada.
Pronto!
EXCLUSIVO: NOVO ESCÂNDALO ENVOLVE FLÁVIO BOLSONARO E O USO IRREGULAR DE PAPEL HIGIÊNICO!
Seriam necessários apenas alguns minutos para aparecerem os analistas de televisão, os especialistas em celulose e, quem sabe, uma discussão sobre os riscos institucionais daquele terrível comportamento.
É sarcasmo, evidentemente. Mas uma sátira que ilustra o perigo de transformar qualquer informação em arma eleitoral.
O mais curioso, entretanto, é que esse ambiente de suspeitas acontece exatamente quando outra realidade começa a preocupar os corredores do poder.
O NOVO SENADO ESTÁ CHEGANDO.
E, com ele, cresce a possibilidade de que antigos pedidos de responsabilização de ministros do Supremo finalmente sejam examinados.
Alexandre de Moraes está entre os principais alvos das iniciativas parlamentares que defendem maior fiscalização sobre o Judiciário.
Naturalmente, nenhuma autoridade pode ser afastada simplesmente porque suas decisões desagradaram a uma parcela da população. É indispensável demonstrar a ocorrência de infrações previstas em lei, assegurar o direito de defesa e respeitar o devido processo.
Mas também é verdade que ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal não significa possuir imunidade eterna contra questionamentos e responsabilidades.
A toga não transforma ninguém em proprietário da República.
É justamente nesse cenário que surge uma pergunta inevitável:
Será que parte da crescente agitação política decorre também do receio de que o novo equilíbrio de forças no Congresso coloque determinadas autoridades diante de uma cobrança institucional muito mais rigorosa?
Não temos como afirmar quais sejam as intenções particulares de cada protagonista. Mas o ambiente político permite levantar a questão.
E aqui chegamos ao nosso CADAFALSO POLÍTICO.
Não estamos falando de violência, mas daquele lugar simbólico onde autoridades habituadas a cobrar explicações dos outros podem acabar obrigadas a apresentar as próprias.
Um cadafalso feito de questionamentos, transparência, responsabilidade e, quando houver fundamento legal, processos institucionais.
Talvez seja essa uma das perspectivas mais desconfortáveis para qualquer pessoa acostumada a exercer enorme poder sem enfrentar uma fiscalização equivalente.
Afinal, investigar é necessário. Ser investigado também pode ser.
O Brasil não precisa de impunidade para Flávio Bolsonaro, para Lula, para ministros do Supremo ou para qualquer outra autoridade.
Precisa de uma Justiça que utilize os mesmos critérios para todos e que não transforme suspeitas em condenações antecipadas. A mesma régua.
Porque, se houver crime, que as provas apareçam e a lei seja aplicada.
Se não houver, que a investigação tenha a mesma coragem de reconhecer a ausência de fundamentos.
O QUE NÃO PODE É TRANSFORMAR A JUSTIÇA NUMA FÁBRICA DE MANCHETES E A POLÍTICA NUMA CAÇA INTERMINÁVEL A ADVERSÁRIOS.
E, enquanto o Brasil aguarda o resultado das urnas e os próximos movimentos do Congresso, fica uma recomendação bem-humorada ao senador Flávio Bolsonaro:
Tenha muito cuidado quando entrar no banheiro.
Confira a torneira, a descarga, a tampa do vaso e, principalmente, o papel higiênico.
Porque, nesse clima político, qualquer distração pode virar notícia.
E QUEM SABE ATÉ UM NOVO INQUÉRITO!
Jayme Rizolli
Jornalista.












