
Vaza a conversa entre Moraes e Alcolumbre durante um almoço em Brasília

22/10/2026 às 18:41 Política

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A jornalista Malu Gaspar afirmou que o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), fez duas previsões sobre o cenário político em uma reunião na semana passada com aliados da qual participaram o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Diz ela em coluna no O Globo:
A primeira previsão de Alcolumbre é sobre as chances de uma virada de Lula, que aparece tecnicamente empatado com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas últimas pesquisas de intenção de voto. A da Quaest, divulgada nesta quarta-feira (21), mostra Flávio com 45% e Lula com 44% – uma diferença de apenas 1 ponto percentual.
A leitura do presidente do Senado é a de que o presidente da República ainda pode virar o jogo se conseguir mobilizar a militância lulista e trabalhar para reduzir a abstenção no próximo domingo (25). Entre o primeiro e o segundo turno, o próprio Alcolumbre ajudou o Palácio do Planalto e destravou a tramitação de uma das principais bandeiras eleitorais da campanha do PT, garantindo a aprovação do fim da escala 6x1.
A segunda previsão de Alcolumbre diz respeito a Pacheco. Aos presentes, o chefe do Senado garantiu que tem condições de aprovar sem dificuldades uma eventual indicação dele para o Supremo, e isso independentemente de quem for eleito presidente, se Lula ou Flávio Bolsonaro.
Para Alcolumbre, Pacheco é o único nome que hoje teria amplo apoio na Casa para assumir a vaga aberta em outubro do ano passado com a antecipação da aposentadoria de Luís Roberto Barroso. Pacheco presidiu o Senado entre 2021 e 2025 e teve a sua indicação ao TCU aprovada em setembro deste ano com 63 a favor e apenas quatro contrários.
Uma eventual indicação de Pacheco ainda abriria uma vaga para o Senado no TCU, o que poderia dar a Lula a chance de indicar alguns de seus aliados que foram derrotados nas urnas, como a ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB) e Randolfe Rodrigues (PT-AP).
O plano de Alcolumbre era ver Pacheco indicado para o Supremo no ano passado, mas Lula insistiu na escolha do advogado-geral da União, Jorge Messias, considerado homem de confiança do presidente da República.
Contrariado, Alcolumbre trabalhou para impor uma derrota ao presidente e costurou uma aliança que reuniu nos bastidores Alexandre de Moraes e a tropa de choque bolsonarista na Casa, cada lado com a sua própria agenda.
No caso do ministro do Supremo, o objetivo era impedir o fortalecimento no tribunal do grupo próximo ao relator do caso Master, ministro André Mendonça, que foi um dos principais cabos eleitorais da fracassada campanha de Messias e apresentou no mês passado ao plenário um relatório com as mensagens trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro.
Já para os bolsonaristas a meta era impor a derrota a Lula uma derrota histórica, já que a última indicação rejeitada havia sido em 1894, no governo Floriano Peixoto. Além disso, deixariam a vaga aberta para tentar nomear um ministro a mais em caso de vitória de Flávio.
Com a eleição caminhando para o final, Alcolumbre parece disposto a retomar os antigos planos – mas, desta vez, espera contar com Lula ao invés de Flávio Bolsonaro no processo.












