Infeliz é a nação que dá voz aos tiranos!

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O povo tem o governo que merece

O Brasil viveu neste domingo, 25 de outubro de 2026, mais um capítulo lamentável de sua história política. Uma eleição marcada por acontecimentos graves, decisões controversas e questionamentos que não podem ser ignorados. Mas, acima de tudo, uma eleição que nos obriga a refletir sobre a responsabilidade de um povo diante de suas próprias escolhas.

E também sobre a responsabilidade das autoridades do TSE e do STF. Quando grande parte das urnas já estava fechada, Cristiano Zanin, ex-advogado pessoal do atual presidente e ministro indicado por ele ao Supremo, determinou a prorrogação da votação por mais duas horas. Uma decisão que levanta sérias dúvidas sobre a igualdade do processo eleitoral, especialmente diante da disputa com Flávio Bolsonaro, vencedor do primeiro turno e apontado como favorito em pesquisas às vésperas da votação.

Os eleitores de Flávio e boa parte da direita já temiam alguma manobra capaz de interferir no resultado. A meu ver, o que aconteceu desviou as atenções para uma discussão sobre a legalidade da prorrogação, enquanto urnas já encerradas eram recolhidas. Para onde foram encaminhadas? Como se garantiu a segurança de todo o processo? Perguntas que merecem respostas.

Foi uma sensação coletiva de déjà-vu, lembrando as eleições de 2022, quando questionamentos sobre o processo eleitoral também provocaram conflitos e consequências judiciais.

Suspeito que o plano de vingança de Lula tenha sido prorrogado por mais quatro anos. Durante a campanha, seu programa de governo pouco se destacou diante dos ataques ao adversário. No debate presidencial, ao falar sobre os processos de Flávio Bolsonaro, deixou uma declaração preocupante: se vencesse, os processos poderiam avançar.

Também defendeu a regulamentação das redes sociais e apresentou posições controversas sobre segurança pública. Diante de seu discurso, cresce meu temor de novas punições contra a família Bolsonaro, seus aliados e os envolvidos nos acontecimentos de 8 de janeiro.

Para mim, Lula é um dos grandes responsáveis pelo aprofundamento da polarização. Não demonstra disposição para pacificar o Brasil, nem a empatia e a compaixão que se esperam de um governante.

Lamento que tantos de seus apoiadores reproduzam essa hostilidade, gritando “sem anistia”, muitas vezes contra pessoas de suas próprias famílias. Esquecem que, antes de adversários políticos, somos todos um povo interessado em viver numa nação democrática.

Não lamento apenas a vitória de Lula. Lamento que milhões de eleitores, conhecendo sua trajetória e suas declarações, tenham lhe concedido mais quatro anos de poder. Se as controvérsias desta eleição não forem devidamente esclarecidas, o sentimento de injustiça e desconfiança poderá se aprofundar ainda mais.

Lamento pelos presos do 8 de janeiro e por figuras reconhecidas pela direita, como o general Heleno, Braga Netto, Almir Garnier, Anderson Torres e Filipe Martins, submetidos a situações judiciais que considero profundamente injustas. Lamento pelas mortes registradas no cárcere, pelas mulheres impedidas de acompanhar o crescimento de seus filhos, pelos pais arrancados do convívio familiar e pelos idosos que permanecem encarcerados. Que justiça é essa que, a meu ver, ignora o sofrimento humano e transforma a punição em instrumento de crueldade? Lamento por aqueles que enfrentam o frio das celas, a dor da separação e a angústia de esperar por uma justiça que talvez nunca venha.

Lamento pelo ódio que acaba de ser instalado por mais quatro anos, sem dó e nem piedade.

Lamento que esse povo eleitor de Lula, que se autodenomina o lado do amor, dos direitos humanos, da justiça social e da democracia, na verdade só use esses chavões para esconder um coração cruel e sua incapacidade de amar, até mesmo a si próprio, pois se submete a um governo com um histórico tão duvidoso.

E lamento pelo caos que se instala a partir de agora.

Minha fé na humanidade vinha resistindo ao longo destes quase oito anos de conflitos e sofrimento. Mas hoje essa fé sofreu um abalo sísmico!

Este talvez seja o luto político mais difícil da minha vida. Desejar o bem, a verdade, a liberdade e o melhor para todos e, ainda assim, assistir à vitória de um projeto que, aos meus olhos, parece alimentado pela vingança é uma verdadeira decepção.

O sentimento é tão amargo que chega a ser humilhante. Como se desejar o bem fosse ingenuidade. Como se defender a verdade fosse motivo de ridículo. Como se a honra tivesse perdido seu valor.

Que país é este, onde o cidadão honesto começa a sentir vergonha de sua própria honestidade?

INFELIZ É A NAÇÃO QUE DÁ VOZ AOS TIRANOS!

Foto de Bernadete Freire Campos

Bernadete Freire Campos

Cidadã brasileira, especialista em neurociência, estudiosa do comportamento humano no contexto político.

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