O tenebroso “day after”: Eis o que nos aguarda...
26/10/2026 às 09:01 Opinião
Agora, o day after. Depois de salvar a nossa democracia (risadas contidas), o governo Lula precisará salvar a nossa economia. O modelo do PT está claramente esgotado, mas é difícil imaginar que Lula vá tirar outro da cartola.
Quando Dilma se reelegeu, em 2014, tentou dar esse cavalo de pau. Chamou Joaquim “mãos-de-tesoura” Levy para implementar um ajuste fiscal. Levy saiu do governo menos de um ano depois, mas não sem antes dar a desculpa preferida dos petistas, a de que os “cortes” no orçamento causaram a brutal recessão que se instalou. Poderia até ser verdade, se Levy tivesse conseguido implementar o seu plano. Ele saiu justamente porque não conseguiu.
O que Lula vai fazer para endereçar o problema? Meu palpite: provavelmente, nada. Lula sequer admite que há um problema de verdade. Pode até lançar um “Novíssimo Arcabouço Fiscal”, mas vai continuar insistindo nesse modelo de “endividar para crescer”. O mercado vai estressar no início, depois vai se acostumar, e os juros permanecerão em patamar estratosférico para pagar o risco fiscal. Isso levará à desaceleração da atividade e crescente impopularidade do governo, que dobrará a aposta para manter a aprovação popular. Ou seja, mais do mesmo.
Um cenário alternativo é uma ruptura, com fuga de capitais, o dólar indo a sete ou oito reais, a inflação explodindo e dificuldade em rolar a dívida pública. Neste caso, teríamos uma recessão profunda, que poderia ter consequências políticas, como um impeachment. Acho esse cenário bem menos provável.
O cenário virtuoso, em que Lula adota a cartilha “neoliberal” do “tesouraço”, é o menos provável dos três. Dilma fez uma pantomima para tentar convencer o mercado. Lula nem isso vai tentar.
Marcelo Guterman. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP e mestre em Economia e Finanças pelo Insper.
da Redação