O silêncio de Trump: O que isso representa...
27/10/2026 às 06:00 Internacional
Mais de 24 horas depois da confirmação da reeleição de Lula, a Casa Branca segue em silêncio.
Cobrado por parlamentares democratas, o Departamento de Estado disse apoiar eleições livres e justas, sem se comprometer a respeitar o resultado. Washington quebra assim a tradição de reconhecimento imediato mantida em 2002, 2014, 2018 e 2022.
O silêncio tem lastro. Em 2025, o governo Trump impôs tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, aplicou a Lei Magnitsky a Alexandre de Moraes e cancelou vistos de autoridades. Em maio, um dia depois de receber Flávio e Eduardo Bolsonaro, designou PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. No sábado, a Reuters revelou que funcionários do Departamento de Estado defenderam sanções para enfraquecer Lula.
O cenário mais provável é o reconhecimento após um período deliberado de espera. Trump é pragmático e não tem como reverter o resultado. Mas a inação não é opção. Lula abriu o quarto mandato denunciando “intromissão vinda de fora”, mantém proximidade com Havana e Teerã e faz de Washington alvo recorrente de seus discursos. A caixa de ferramentas já foi testada: tarifas, Magnitsky, vistos e a investigação comercial aberta contra o Brasil.
Washington, aliás, já trabalha com alternativas. Dias antes do segundo turno, fechou com o Paraguai um campus de inteligência artificial movido a energia de Itaipu, com cooperação em segurança no mesmo pacote. O reconhecimento deve vir. O custo da relação, também.
da Redação