A conta chegou: após vitória de Lula, Bolsa despenca, dólar dispara e promessas de campanha ficam sob pressão (veja o vídeo)
27/10/2026 às 08:19 Opinião
O dia seguinte à eleição presidencial trouxe um duro choque para o mercado financeiro e colocou em evidência uma questão que deverá acompanhar o novo mandato de Lula: de onde virá o dinheiro para cumprir as promessas feitas durante a campanha?
Segundo os números divulgados sobre o primeiro pregão após a eleição, a Bolsa brasileira registrou queda de 13,88%, enquanto o dólar disparou 8,21%, em um movimento de forte reação dos investidores ao resultado das urnas.
Mas o problema pode ir muito além do mercado financeiro.
O pacote de bondades apresentado por Lula durante a campanha já enfrenta questionamentos sobre sua viabilidade fiscal. Afinal, prometer benefícios é uma coisa. Encontrar recursos para financiá-los é outra completamente diferente.
Entre os compromissos que poderão enfrentar dificuldades estão a ampliação de benefícios para microempreendedores individuais, as mudanças na jornada de trabalho para o modelo 5x2 e a promessa de ampliar o acesso a medicamentos para tratamento da obesidade, como o Mounjaro.
Até mesmo o Bolsa Família poderá enfrentar uma fiscalização mais rigorosa, diante da necessidade de controlar os gastos públicos.
O cenário expõe uma contradição que poderá se tornar um dos maiores desafios políticos do novo governo: conciliar as expectativas criadas durante a campanha com as limitações do orçamento federal.
E quem poderá sentir mais intensamente os efeitos de uma eventual deterioração econômica será justamente a parcela mais vulnerável da população, especialmente diante de possíveis pressões sobre a inflação, os juros e o custo de vida.
Lula venceu prometendo ampliar benefícios e melhorar a vida dos brasileiros. Agora, terá de demonstrar como pretende financiar esses compromissos sem comprometer ainda mais as contas públicas.
O eleitor que acreditou nas promessas de campanha terá motivos para acompanhar de perto cada decisão do governo.
Afinal, depois de tantas promessas de picanha, o risco é que o brasileiro descubra que o dinheiro não será suficiente nem para comprar abóbora.
A eleição terminou. O discurso de campanha deu lugar à realidade econômica. E a conta, como sempre, corre o risco de sobrar para o contribuinte.
Veja o vídeo:
Emílio Kerber Filho
Escritor e Estrategista Político. Criador do método Arquitetura Eleitoral:
https://emiliokerber.com.br/
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