As peripécias do procurador do TCE reveladas pela PF: R$ 32 milhões, 179 pagamentos e 12 contas em 9 bancos
30/10/2026 às 09:18 Direito e Justiça
As investigações que resultaram na Operação Tomada de Contas, deflagrada nesta quinta-feira (29) pela Polícia Federal, apontam que o procurador efetivo da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), cedido ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) como consultor jurídico, Grhegory Paiva Pires Moreira Maia recebeu mais de R$ 32 milhões em 179 pagamentos feitos pela Corte. Os valores foram movimentados por meio de 12 contas bancárias mantidas em nove instituições financeiras diferentes.
Segundo a investigação, Grhegory sacou boa parte do dinheiro em espécie, inclusive sendo registrado por câmeras de segurança.
“As imagens analisadas pela Polícia Federal também o situam em episódios relacionados à retirada e à movimentação de numerário, circunstância que vai além da condição de simples beneficiário dos valores investigados sendo certo que, em um desses episódios, Grhegory Paiva Pires Moreira Maia aparece acondicionando blocos de dinheiro em uma mochila após a preparação do numerário por funcionária da agência”, destaca a decisão.
A investigação aponta ainda que o procurador teria participado de um esquema de lavagem de dinheiro por meio da constituição de empresas em nome de familiares e de terceiros.
“Verifica-se que Grhegory Paiva Pires Moreira Maia constituiu a holding familiar G.P.P.M.M. Participações e Empreendimentos Ltda., administrada por sua sogra e, antes disso, pela esposa de Gustavo Fernandes da Silva. Referida empresa teria sido beneficiada com aportes dos valores recebidos por Grhegory Paiva Pires Moreira Maia”, aponta a decisão.
Outra empresa citada é a Maia Reining Horses Ltda., também constituída por Grhegory em 22 de julho de 2025. A companhia tem como objeto social a criação de cavalos e o comércio de embriões e sêmen. Para a investigação a empresa "estaria sendo utilizada para ocultar os valores".
A decisão do ministro Og Fernandes também chama a atenção para a atuação de Grhegory na defesa de verbas indenizatórias destinadas aos conselheiros do próprio Tribunal de Contas. Na condição de consultor jurídico-geral do TCE-MT, ele atuou em processos no Supremo Tribunal Federal (STF) que discutiam justamente esses pagamentos, enquanto era o principal destinatário dos valores investigados.
Uma denúncia anônima levou à descoberta das fraudes. Segundo a denúncia anônima, ao assumir o comando do Tribunal de Contas em janeiro de 2024, o conselheiro Sérgio Ricardo editou uma portaria de contenção de gastos no órgão. Desta forma, suspendeu alguns contratos.
Porém, o que parecia ser uma medida de austeridade, era o início de um esquema de corrupção. A denúncia, depois investigada pelo Ministério Público Federal, destacou que outros contratos não apenas foram mantidos, como também foram aditivados.
"Dados extraídos do Portal da Transparência indicariam uma contradição flagrante, pois, enquanto se alegava escassez de recursos, os pagamentos mensais teriam aumentado em R$ 13 milhões no período restritivo, passando de R$ 67 milhões para R$ 80 milhões mensais", diz trecho da decisão.
Na sequência, a decisão relata que havia um compromisso das empresas em devolver parte dos valores pagos pelo Tribunal de Contas a pessoas do grupo do presidente do Tribunal de Contas.
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da Redação