
Os mistérios do número 7: Sete minutos para o exílio

30/10/2026 às 17:58 Opinião

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Há números que ultrapassam a matemática e atravessam os séculos carregados de simbolismo, mistério e significado. O número 7 é, certamente, um deles.
Na história, são sete as maravilhas do mundo antigo, sete os sábios da Grécia e sete as colinas sobre as quais, segundo a tradição, Roma foi construída. A Guerra dos Sete Anos marcou profundamente a história europeia e mundial.
Na mitologia grega, os Sete contra Tebas representam uma das mais conhecidas narrativas de guerra, poder e tragédia.
Na matemática, o 7 é um número primo, indivisível por qualquer outro número além de si mesmo e da unidade. Uma singularidade que também alimentou seu simbolismo ao longo da história.
Na religião, sua presença é ainda mais impressionante. A Bíblia apresenta os sete dias da criação, os sete selos do Apocalipse, as sete trombetas e as sete igrejas mencionadas no livro das Revelações.
Na tradição cristã, são sete os pecados capitais e sete os sacramentos da Igreja Católica. Na tradição judaica, a menorá possui sete braços. No islamismo, são sete os céus descritos no Alcorão e sete as voltas realizadas ao redor da Caaba durante o ritual do Tawaf.
O número 7 parece ter conquistado um lugar especial na imaginação humana. Representa ciclos, completude, perfeição, espiritualidade e, muitas vezes, o inexplicável.
Mas o Brasil acaba de oferecer uma nova ocorrência para essa extensa coleção de mistérios.
Desta vez, não há mitologia, profecia ou explicação sobrenatural. Há política.
No domingo, 25 de outubro de 2026, às 21h09, o Tribunal Superior Eleitoral confirmou oficialmente o resultado da eleição presidencial, sacramentando a derrota (?) de Flávio Bolsonaro.
Exatamente sete minutos depois, às 21h16, segundo a cronologia divulgada pela imprensa, a Polícia Federal protocolava no Supremo Tribunal Federal um pedido de apreensão dos passaportes do senador, além de outras medidas restritivas.
Sete minutos!
Uma coincidência que merece muito mais do que uma nota de rodapé.
A Polícia Federal apresentou seus argumentos, mencionando elementos de uma investigação e um suposto risco de saída do parlamentar do país. Mas a proximidade temporal entre a proclamação do resultado eleitoral e a iniciativa policial levanta uma questão política e institucional inevitável: por que tamanha urgência justamente naquele momento?
A medida foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes.
Eis, portanto, o mais recente mistério do número 7 na história brasileira: sete minutos entre o anúncio de uma (improvável) derrota nas urnas e o início de uma ofensiva judicial contra o candidato derrotado (?).
Na matemática, o sete é indivisível. Na história, atravessou impérios. Na religião, simboliza a perfeição.
Na política brasileira, o 7, ganhou um significado inquietante: o tempo que separou a proclamação de um resultado eleitoral de uma iniciativa que comprova uma perseguição política.
Talvez não exista nada de místico nesses sete minutos.
Mas há perguntas que nem mesmo sete séculos seriam suficientes para apagar.
Henrique Alves da Rocha
Coronel da Polícia Militar do Estado de Sergipe.












