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Quando o Tio Sam resolve entrar em cena, até os nossos sistemas de segurança parecem descobrir que estavam apenas fazendo figuração, pois enquanto há acontecimentos que parecem saídos de Hollywood, outros parecem produzidos por algum diretor de comédia que perdeu o compromisso com a realidade e há aqueles que conseguem reunir as duas coisas, deixando o espectador sem saber se deve comprar pipoca, chamar a Polícia Federal ou procurar o responsável pelo roteiro.
A história do suposto resgate de Flávio Bolsonaro pela CAVALARIA AÉREA AMERICANA oferece um excelente ponto de partida para uma dessas reflexões já que afinal, se a operação se desenrolou conforme a narrativa apresentada, temos uma situação bastante curiosa, pois enquanto os mecanismos brasileiros de segurança deveriam estar atentos aos movimentos de um senador da República, uma operação estrangeira teria conseguido protagonizar o episódio, deixando nossos esquemas de vigilância aparentemente reduzidos à condição de espectadores, lembrando o famoso FICOU A VER NAVIOS.
Diferente do que aconteceu na VENEZUELA, não tivemos helicópteros descendo sobre Brasília, soldados saltando de cordas, metralhadoras cuspindo fogo ou uma esquadrilha americana rompendo as nuvens para buscar o senador e o que se conhece é uma viagem muito menos cinematográfica, mas politicamente bastante movimentada com saída pela fronteira argentina, passagem pelo EQUADOR e chegada a MIAMI em avião particular e o assessor de Trump, Jason Miller, confirmando ter providenciado a aeronave, portanto, a CAVALARIA AÉREA AMERICANA pode entrar na crônica como metáfora satírica, mas não como descrição comprovada de uma operação militar de resgate.
Nosso repertório nacional já é suficientemente generoso, só faltando combinar com os responsáveis pela segurança do BRASIL VARONIL que, na próxima temporada, procurem chegar ao episódio antes dos créditos finais, porque, se a cavalaria americana aparecer novamente, convém que nossos cavaleiros nacionais não estejam todos no estábulo, esperando autorização para montar e, como diria o velho espectador de filmes de faroeste, quando a corneta anuncia a chegada da cavalaria, é porque alguém deixou a situação chegar a um ponto em que os mocinhos já não conseguem resolver o problema sozinhos e aqui vai uma sugestão de placa luminosa para colocar em todos aeroportos: SEJA BEM VINDO AO BRASIL VARONIL, PAÍS ONDE O PRESODENTRO É O ULTIMO A SABER O QUE FAZ SUA SEGURANÇA NACIONAL.
José H.C. Abreu.
Articulista













