Advogada e marido policial militar são presos acusados de integrar o PCC
31/10/2026 às 17:37 Polícia
A advogada Raianni Caroline Almeida Passos, de 37 anos, e o marido dela, o policial militar Haune Faker Duarte, de 36, tiveram a prisão preventiva decretada após o Ministério Público de Mato Grosso do Sul apontar que os dois atuavam em funções estratégicas da facção criminosa Primeiro Comando da Capital. Segundo as investigações, ela articulava a comunicação entre integrantes da facção e advogados, enquanto ele utilizava o acesso a sistemas policiais para obter e repassar informações sigilosas.
Os dois foram presos nesta quinta-feira (29), durante a Operação Consorte, e encaminhados ao Presídio Militar Estadual, em Campo Grande. O policial ficou na unidade por integrar a Polícia Militar, enquanto a advogada teve a transferência autorizada pela Justiça em razão de sua condição profissional e do direito a instalações especiais de custódia.
Conforme o MPMS, Raianni exercia papel relevante na estrutura denominada "Sintonia dos Gravatas", núcleo responsável pela articulação de advogados ligados ao Primeiro Comando da Capital. A investigação atribui a ela a intermediação de comunicações entre presos e integrantes da organização que permaneciam em liberdade.
Os promotores sustentam que a advogada também participava do repasse de informações estratégicas, da distribuição de recursos e da articulação de profissionais vinculados aos interesses da facção.
Segundo a investigação, essas atividades ultrapassavam os limites do exercício regular da advocacia e contribuíam para manter a comunicação e o funcionamento da organização criminosa, mesmo com integrantes recolhidos ao sistema prisional.
Curiosamente, Raianni já havia sido absolvida pela Justiça em um processo anterior que investigava suspeitas de ligação dela com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Em janeiro de 2025, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul concluiu que a atuação da profissional na defesa de investigados por um latrocínio ocorrido em Nova Alvorada do Sul não configurava o crime de patrocínio infiel.
A advogada também ocupa cargos em entidades representativas da advocacia criminal em Mato Grosso do Sul.
Inicialmente, o Juízo das Garantias havia autorizado medidas de busca e apreensão, mas rejeitado o pedido de prisão preventiva dos investigados. O Ministério Público recorreu, argumentando que a liberdade dos dois representava risco à ordem pública e ao andamento das investigações.
Ao analisar o recurso, a 2ª Câmara Criminal do TJMS concluiu que havia elementos suficientes para determinar as prisões. O colegiado considerou a gravidade das acusações e a possibilidade de continuidade das atividades investigadas.
A decisão destaca que a advogada teria acesso facilitado a pessoas custodiadas e poderia manter a comunicação entre lideranças presas e integrantes em liberdade. Em relação ao policial, a preocupação envolveu a possibilidade de utilização de sua função pública para acessar informações sigilosas.
Os desembargadores também avaliaram o risco de interferência nas investigações, que incluem análise de dados digitais, comunicações, documentos e possíveis vínculos com terceiros.
No julgamento, o tribunal considerou que medidas alternativas à prisão não seriam suficientes para impedir a continuidade das condutas investigadas.
Por unanimidade, os desembargadores acompanharam o voto do relator, desembargador Carlos Eduardo Contar, e determinaram a prisão preventiva de Raianni e Haune.
A investigação envolve suspeitas de participação em organização criminosa, corrupção ativa e violação de sigilo funcional, além de outros delitos relacionados aos fatos apurados.
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da Redação