Jair Bolsonaro e Rogério Marinho: a lealdade de Jônatas em tempos de Davi

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A Bíblia conta uma das mais extraordinárias histórias de lealdade entre dois homens: Jônatas e Davi. Filho do rei Saul e herdeiro natural do trono, Jônatas reconheceu em Davi alguém que poderia ocupar o lugar que, pela tradição, seria seu. Mesmo assim, não permitiu que a ambição pessoal falasse mais alto. Escolheu a amizade, a fidelidade e a lealdade, mesmo diante dos riscos que essa decisão representava.

A política brasileira oferece hoje uma história que merece essa comparação.

O senador Rogério Marinho tinha um projeto político legítimo e promissor, disputar o Governo do Rio Grande do Norte em 2026. Reunia condições políticas para uma candidatura competitiva e tinha reais possibilidades de vitória. Entretanto, diante de um pedido de Jair Bolsonaro, abriu mão desse projeto para assumir a coordenação nacional da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.

Marinho trocou uma possível vitória pessoal por uma missão política. Não escolheu o caminho mais confortável, tampouco o mais vantajoso individualmente. Escolheu a lealdade ao homem que considera seu líder.

E Bolsonaro não ignorou esse gesto.

Em reconhecimento à fidelidade demonstrada, a capacidade de liderança e trajetória política, orientou senadores do PL e aliados a apoiarem Rogério Marinho na disputa pela Presidência do Senado, em 2027, enfrentando a pretensão de continuidade de Davi Alcolumbre.

Mas existe um detalhe ainda mais significativo nessa história, Jair Bolsonaro também demonstra estar disposto a suportar o peso da própria prisão, sem permitir que sua liberdade seja transformada em moeda de troca por conveniências políticas. A posição defendida por setores da oposição é que o PL não deve negociar a Presidência do Senado ou abandonar suas bandeiras em troca de um eventual benefício individual ao ex-presidente.

É uma demonstração de que princípios não deveriam ter preço, nem mesmo quando o preço é a própria liberdade.

É nesse contexto que o nome de Davi Alcolumbre ganha um significado particularmente simbólico.

O Davi bíblico encontrou em Jônatas um amigo capaz de sacrificar seus próprios interesses para protegê-lo. O Davi da política brasileira, entretanto, carrega um histórico de alianças, rupturas e traições que alimentou a desconfiança tanto de bolsonaristas quanto de antigos aliados governistas. Não por acaso, parlamentares da oposição passaram a questionar sua confiabilidade depois de sucessivos movimentos políticos e mudanças de posição.

Há, inclusive, uma contradição que não pode ser esquecida: em 2025, Bolsonaro orientou o apoio do PL à eleição de Alcolumbre para a Presidência do Senado. O amapaense recebeu os votos da direita, participou de um amplo acordo político e chegou ao comando da Casa com compromissos negociados com o bolsonarismo. Agora, a confiança que tornou aquele entendimento possível está seriamente abalada.

Também pesa sobre o judeu Alcolumbre sua aproximação com o governo Lula, cuja política externa em relação a Israel é duramente criticada por Bolsonaro e por setores da comunidade judaica. O discurso e as posições do governo petista revelam hostilidade a Israel e complacência política com interesses e narrativas que favorecem o grupo terrorista Hamas. Uma postura que ultrapassa os limites de uma divergência diplomática e assume contornos claros de antissemitismo.

A questão, portanto, não é simplesmente escolher quem ocupará a cadeira de presidente do Senado. É decidir em quem confiar.

Davi Alcolumbre não é confiável.

A vida e a liberdade de milhares de presos políticos está em jogo. O futuro do Brasil está em risco.

É necessário um presidente do Senado com independência e vontade política que paute os processos de impeachment contra ministros do STF.

Rogério Marinho demonstrou lealdade quando tinha muito a perder. Bolsonaro demonstra reciprocidade ao reconhecer esse gesto e, mesmo diante de sua própria situação, não aceitar que sua liberdade seja utilizada como instrumento de barganha política.

Jônatas poderia ter disputado o trono. Preferiu ser leal a Davi. Marinho poderia ter disputado o Governo do Rio Grande do Norte. Preferiu atender ao chamado de Bolsonaro.

O que há de comum é que, na história bíblica, Davi encontrou em Jônatas um amigo fiel. Na política brasileira, Bolsonaro parece ter encontrado em Rogério Marinho alguém que compreendeu o verdadeiro significado dessa palavra.

Porque poder se conquista com votos, alianças se constroem com interesses, mas lealdade se prova quando alguém está disposto a perder para não abandonar quem sempre esteve ao seu lado.

Foto de Henrique Alves da Rocha

Henrique Alves da Rocha

Coronel da Polícia Militar do Estado de Sergipe.

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