Governador petista do Piauí está delirando e confundindo “matemática” com “matemágica”
02/11/2026 às 06:00 Opinião
Rafael Fonteles, governador reeleito do Piauí e, dizem, um gênio da matemática, é o novo sonho de consumo da Faria Lima. Ele seria o cara com a missão de colocar as contas públicas em ordem. Acho que o pessoal está confundindo matemática com matemágica.
Fernando Schüler e Alexandre Schwartzaman, cada um em seu estilo, mandam a real: não há convicção e nem condições políticas para cometer o estelionato eleitoral desejado pela Faria Lima. Como sabiamente afirmou Guilherme Boulos, o tesouraço foi derrotado nas urnas.
No momento em que se discute a escolha de Rafael Fonteles como ministro da Fazenda e o que isso significaria para a sucessão de Lula, vale revisitar a história do primeiro período de Lula no Palácio do Planalto.
Nos primeiros três anos de seu primeiro mandato, Lula tinha dois potenciais sucessores em cargos-chave: Antônio Palocci como ministro da Fazenda e José Dirceu como ministro da Casa Civil. Dirceu foi abatido no escândalo do Mensalão, sendo substituído por Dilma Rousseff em 2005.
Este ano é chave para entender Lula. No auge do escândalo do Mensalão, Lula é chamado a arbitrar duas visões econômicas do Brasil. A primeira, de Palocci, preconizava o uso dos ventos externos favoráveis para aumentar os superávits primários e, assim, derrubar de maneira relevante o juro neutro brasileiro. Sua visão de crescimento econômico passava pelo estabelecimento de um alicerce macroeconômico firme, com as contas públicas arrumadas.
A segunda visão, de Dilma Roussef, foi sintetizada em sua famosa entrevista para o Estadão em novembro de 2005, assim que assumiu a Casa Civil, quando classificou o plano de ajuste fiscal de longo prazo de Palocci como “rudimentar”, e cunhou a frase pela qual ficaria famosa, “despesa corrente é vida”. Seu modelo econômico preconizava grandes investimentos estatais com o uso intenso do BNDES e das estatais, e expansão do crédito. O crescimento econômico advindo dessa dinâmica seria suficiente para equilibrar as contas públicas no futuro. Uma espécie de moto-perpétuo.
Lula, um ano antes do escândalo que derrubaria Palocci, arbitrou a favor de sua ministra da Casa Civil, e iniciou o caminho que desembocaria na Grande Recessão Brasileira de 10 anos depois. Com Palocci sendo substituído por Guido Mantega, Dilma tornava-se a única pretendente ao trono na pista.
Fast forward para 2026. Fonteles ministro da Fazenda disputará o trono da sucessão com o ministro da Casa Civil, provavelmente Camilo Santana ou Fernando Haddad. Se for esperto, Fonteles lembrará de Dilma Rousseff, e o que levou Lula a preferi-la. Certamente, não foi um programa de ajuste fiscal.
Marcelo Guterman. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP e mestre em Economia e Finanças pelo Insper.
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da Redação