Se o povo não permitiu a ida ao Senado, tenta o Supremo
02/11/2026 às 10:57 Direito e Justiça
Há coisas que só acontecem no Brasil Varonil, uma delas é a extraordinária capacidade que determinadas figuras públicas possuem de transformar derrotas eleitorais em oportunidades para ascender na hierarquia do poder, desde quando ao perder uma eleição, ganha uma indicação, não interessando se consegue convencer o eleitor, mas o PRESIDENTE da República.
A INDICAÇÃO de SIMONE TEBET para a SUPREMA CORTE BRASILEIRA abre espaço no tabuleiro eleitoral para FERNANDO HADDAD, que também enfrenta suas próprias dificuldades eleitorais, GLEISI HOFFMANN, outra figura de destaque do universo petista que também já foi lembrada para o cargo do STF e MARINA SILVA, que igualmente desembarcou na disputa paulista.
A propósito, será que Marina Silva também merece o cargo? Depois de tantos anos de protagonismo na defesa do MEIO AMBIENTE, com passagens pelo Ministério do mesmo nome e uma trajetória política construída em torno da preservação ambiental, será que talvez não esteja na hora de experimentar outros horizontes no MEIO JURÍDICO?
Quem sabe, depois de tantas preocupações com a Amazônia, venha a se dedicar à preservação de outro ecossistema ameaçado, o da JUSTIÇA BRASILEIRA! O importante é não deixar o currículo esfriar e aqui chegamos ao ponto mais delicado da discussão.
O Supremo Tribunal Federal não é uma repartição destinada a acomodar políticos que perderam eleições, tampouco uma espécie de agência de recolocação profissional para integrantes de governos que precisam encontrar um novo destino.
A Constituição estabelece requisitos objetivos para a investidura no cargo: idade entre 35 e 70 anos, notável saber jurídico e reputação ilibada, a indicação é presidencial, depende de aprovação do Senado, portanto, Simone Tebet pode, em tese, preencher os requisitos constitucionais, sua formação jurídica e sua experiência na Comissão de Constituição e Justiça são elementos legítimos para discussão.
Há, porém, uma diferença monumental entre preencher os requisitos legais e possuir o perfil institucional desejável para integrar a mais alta Corte do País tendo em vista que o STF não precisa de representantes de partidos, de aliados agradecidos, de companheiros de governo ou de personagens que necessitem de uma nova estação depois de uma viagem eleitoral malsucedida.
Precisa de magistrados com independência, equilíbrio, conhecimento jurídico profundo, coragem para contrariar até mesmo aqueles que os indicaram e essa última qualidade, convenhamos, deveria ser examinada com uma lupa bastante potente.
da Redação