“Nós somos 60 milhões de Bolsonaros”: o testemunho de um jornalista que pagou o preço por votar na direita

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Após a reeleição de Lula, listas de estabelecimentos e profissionais considerados "petistas" circularam em grupos de WhatsApp e redes sociais. Campanhas como "Demita um petista" e pedidos explícitos de boicote se espalharam por várias cidades. Os casos de cancelamento de clientes e denúncias ao Ministério Público do Trabalho explodiram. A reação da direita causou indignação imediata na imprensa e nos setores progressistas.

É necessário lembrar, entretanto, que o cancelamento ideológico, a desumanização e o boicote político não são novidades. Há muito tempo, a esquerda opera dessa maneira — de modo mais organizado e impune — contra quem ousa discordar. Enquanto o país discute apenas os casos recentes, milhões de brasileiros de direita carregam as marcas de demissões veladas, portas fechadas, humilhação, desmonetização e perseguição diária. Nada foi feito para protegê-los. É claro que boicotar não é o melhor cenário para nenhuma perspectiva. Mas, depois de um pleito marcado por desconfianças e ataques pesados, uma grande parte da direita simplesmente cansou de oferecer a outra face.

O que se relata a seguir não é um caso isolado, mas a realidade vivida há mais de uma década por profissionais como este jornalista, que prefere o anonimato por motivos de segurança, e que perdeu o ganha-pão por declarar seu voto.

Logo após a vitória de Bolsonaro em 2018, minha esposa e eu passávamos por um momento trágico, após a falência de um negócio que tentamos abrir na área de gastronomia. Naquela época, já tentávamos fugir do jornalismo justamente porque era quase impossível trabalhar na área sem se render às vontades da esquerda, dona da hegemonia nos meios de comunicação. 

Com a corda no pescoço financeiramente, um amigo da minha esposa me ofereceu emprego. Fomos falar com ele. A vaga era para operar um canal de filmes 100% brasileiro. Atendíamos a todos os pré-requisitos: fazíamos roteiro, trabalho jornalístico completo, narração e produção. Éramos exatamente o que o canal procurava.

O sujeito era amigo da minha esposa há mais de 20 anos. Vindo de uma família rica, sempre foi gay assumido. Minha esposa, inclusive, já havia trabalhado com ele em produções voltadas ao público LGBT+. Nunca tivemos preconceito de nenhuma natureza. Tenho grandes amigos gays; meus sobrinhos são negros, meu avô baiano era negro. Quando votamos em Jair Bolsonaro, foi uma quebra de ilusões. Eu ia votar no Álvaro Dias, ainda acreditando na velha oposição estilo tucana, mas depois da facada do Adélio Bispo no Jair mudamos o voto. Eu simplesmente rejeitava o que a esquerda radical representava: não só o partido, mas a militância que rasgou o tecido social com o discurso canalha de “nós contra eles”, prejudicando a sociedade por décadas.

Chegamos ao encontro. Chopes na mesa, sorrisos. A conversa fluía perfeitamente.

“Seus livros são ótimos. Vocês atendem a tudo o que precisamos para essa vaga”, ele me disse.

Até que veio a pergunta:

— Agora me respondam: em quem vocês votaram na última eleição?

Naquele momento, gelei. Ninguém fazia aquele tipo de pergunta numa entrevista de emprego, a não ser como patrulha ideológica — ainda mais num ambiente de comunicação e cultura. Tentamos desconversar, mas ele fazia questão de saber. Lembrei que, em casa, nossa geladeira guardava apenas meia quentinha de cozido que sobrou do almoço, um pote de margarina e água. Sobrevivíamos das parcelas da máquina de sorvete vendida na falência. 

Olhei para a minha esposa. Entendi, numa fração de segundo, que omitir nosso voto àquele burguês seria como vender a alma ao diabo. Então falei a verdade:

“Não só votei no Bolsonaro, como já tinha votado no Aécio e no Alckmin”.

Aquela era a minha visão de mundo.

A conversa não durou mais de dez minutos. O sujeito se vestiu de arrogância, afirmou que nosso voto colocava a comunidade gay e a própria vida dele em risco, e que não podíamos mais trabalhar juntos. Ali, naquele barzinho, entre chopes quase intocados, acabou para sempre uma amizade de duas décadas. E nós acabamos perdendo um bom dinheiro, grana que nos salvaria naquele momento. 

Posteriormente, Deus nos abençoou. Conseguimos trabalhar pela primeira vez num jornal 100% patriota, nacionalista e conservador, com liberdade para fazer as matérias que quiséssemos. Montamos equipe em Brasília e cobrimos o governo Bolsonaro de perto: as grandes obras, a luta para manter o país funcionando na pandemia e a realidade dos bastidores, enquanto a grande mídia tentava destruir o presidente de todas as formas.

O alívio financeiro durou pouco, mas o suficiente para sairmos do ‘atoleiro’. Logo depois surgiu o Sleeping Giants, um projeto de boicote organizado que importou dos Estados Unidos a tática de asfixiar empresas, cancelando qualquer um que apoiasse conservadores. A imprensa tradicional aplaudia. Os militantes do “amor” celebravam o suposto fim das fake news. Tudo ensaiado para sufocar a direita e manter o monopólio da comunicação.

Alvo dessa perseguição, o veículo para o qual trabalhávamos foi desmonetizado e perdeu quase todos os anunciantes. Fomos do inferno daquela mesa de bar ao céu de Brasília e depois fomos empurrados de volta ao abismo infernal da incerteza pelas mãos da extrema esquerda, que domina o aparato cultural, midiático e estatal.

Essa é a realidade com a qual lidamos há pelo menos 15 anos. Qualquer um que se levante contra a cartilha hegemônica é sufocado — vide o que fizeram com a atriz Regina Duarte —, enquanto o inverso quase nunca acontece.

Portanto, se a direita brasileira deixou de ser passiva e boazinha, se já não quer ser rotulada de fascista e racista em silêncio, essa parece ser apenas a reação natural de um povo exausto de ser agredido por uma casta burguesa que se julga moralmente superior.

Hoje, entendo que nós somos a verdadeira resistência democrática, um escudo contra a tomada total de poder no Brasil. Não se trata apenas de um político e sua família, muito menos idolatria a um homem, trata-se de um despertar coletivo que vem ocorrendo desde 2018. A perseguição implacável forjou 60 milhões de Bolsonaros dispostos a lutar por liberdade, cada qual à sua maneira, sem Exércitos digitais impulsionados ou ações coordenadas, é apenas gente sem cabresto. Gente boa que segue levando esse país nas costas.

E que Deus nos abençoe.

Artigo publicado sob autoria anônima.

Acesse a última edição da Revista A Verdade: https://assinante.jornaldacidadeonline.com.br/revistas/averdade/307

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