
Eleição de Ney Santos à deputado federal põe o Republicanos em "xeque"

03/11/2026 às 12:47 Opinião

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O cenário político de São Paulo atinge um ponto alarmante de degradação ética com a eleição de Ney Santos (Republicanos) para a Câmara dos Deputados. O caso expõe a impressionante leniência das instituições e as graves brechas na Lei da Ficha Limpa.
A trajetória do agora deputado federal é um compêndio de problemas com a Justiça: acusações de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), prisões anteriores e o flagrante de uma pistola com numeração raspada e mira laser em seu veículo. Mesmo com o Ministério Público Eleitoral (MPE) alertando explicitamente que sua candidatura violava frontalmente a moralidade e a probidade administrativa por haver "sólidos elementos sobre sua participação no crime organizado", o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) preferiu o formalismo técnico. Por uma votação apertada de 3 votos a 2, permitiu que ele concorresse sob o argumento de que não havia condenação colegiada definitiva.
A absolvição unânime de Ney Santos pela 10ª Câmara Criminal do TJSP no caso do porte de armas, celebrada por sua defesa como correção de "inconsistências", apenas coroa um histórico de investigações arrastadas que, segundo seus advogados, duraram 16 anos sem produzir condenações definitivas. Essa lentidão do Judiciário serve como o escudo perfeito para que figuras com graves suspeitas criminais continuem a disputar — e vencer — eleições. Para piorar o quadro de oligarquia regional com contornos policiais, a irmã de Ney, Ely Santos (Republicanos) — que também é ré junto com o irmão por lavagem de dinheiro do tráfico de drogas —, garantiu uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
DOIS ANOS PRESO POR ASSALTO EM MARÍLIA (SP).
Antes, em 2003, ele foi preso em flagrante sob suspeita de participação no roubo a uma transportadora de valores em Marília. Ele permaneceu preso até 2005 e, posteriormente, foi absolvido por falta de provas. Em 2010, a Justiça decretou a prisão temporária de Ney Santos por cinco dias, durante outra investigação. Em 2016, ele teve a prisão preventiva decretada pela Justiça, sob a acusação de lavar o dinheiro do tráfico de drogas comandado pela facção criminosa PCC.
Sim, a justiça foi lenta nos casos envolvendo o ex-prefeito de Embu mas também fica a dúvida, qual o critério que o Republicanos presidido nacionalmente pelo deputado federal Marcos Pereira, usou para aprovar a legenda de um candidato com um passado tão questionável. Também cria um grande constrangimento para o Governador Tarcísio de Freitas que tem como seu carro-chefe o combate ao crime organizado, ter como ‘colega’ um deputado apontado pelo Ministério Público de ser partícipe do PCC.
O sucesso eleitoral dos irmãos Santos,mostra como o poder político e as alianças partidárias pragmáticas no maior colégio eleitoral do país parecem normalizar o avanço do crime organizado sobre as cadeiras do Legislativo, enquanto o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) assiste passivamente, sem julgar os recursos a tempo de evitar o estrago institucional.
O TRABALHO DO MINISTÉRIO PÚBLICO QUE O REPUBLICANOS IGNOROU
Em agosto de 2026, a Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo protocolou uma ação de impugnação proativa, o pedido para barrar a candidatura de Ney Santos. O procurador Paulo Taubemblatt destacou o "extenso histórico criminal" e as suspeitas de envolvimento com o PCC. O MPE sustentou que aceitar essa candidatura violaria os princípios constitucionais de moralidade e probidade. Classificou a situação como um "risco à soberania popular e à integridade das instituições democráticas"
A promotoria argumentou que fortes indícios de elo com facções criminosas deveriam bastar para vetar o candidato, independentemente do trânsito em julgado. O MPE também relembrou a condenação por abuso de poder econômico nas eleições de 2016 (financiamento ilícito). Defendendo a tese deinegibilidade além da ficha limpa
Após perder no TRE-SP por um placar apertado de 3 a 2, o MPE recorreu imediatamente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em setembro. Embora o MPE tenha agido com rigor técnico, o desfecho temporário escancara a fragilidade do sistema eleitoral. O recurso chegou ao TSE a tempo, foi distribuído ao ministro Floriano de Azevedo Marques e estava pronto para julgamento antes do pleito. Ainda assim, a lentidão permitiu que Ney Santos fizesse campanha, recebesse mais de 118 mil votos e fosse eleito. Agora, a eficácia de todo o trabalho do Ministério Público depende de o TSE cassar o registro retroativamente, evitando que um réu por lavagem de dinheiro do tráfico de drogas assuma uma cadeira no Congresso Nacional.

Presidente Nacional do republicanos, Dep Fed. Marcos Pereira e Ney Santos
Eduardo Negrão
Consultor político e autor de "Terrorismo Global" e "México pecado ao sul do Rio Grande" ambos pela Scortecci Editora.

















