Banco "Master" paraguaio quebra e presidente do Banco Central renuncia
03/11/2026 às 19:57 Internacional
Os órgãos reguladores do Paraguai intervieram no banco digital Ueno após concluírem que a instituição estava subcapitalizada, provocando a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, e criando um problema político para o presidente Santiago Peña.
O Banco Central afirmou nesta terça-feira que precisava agir rapidamente para proteger os depósitos e limitar os impactos sobre o sistema financeiro. O índice de solvência do Ueno havia caído abaixo do mínimo exigido de 50% após ajustes em seus balanços patrimoniais, segundo os reguladores.
Carlos Carvallo, presidente do Banco Central, anunciou que deixaria o cargo, mas permaneceria na função até a conclusão da intervenção. Anteriormente, ele havia comandado uma versão anterior do Ueno, vínculo que alimentou críticas de que o governo Peña era próximo demais do banco e não havia agido antes para fiscalizar o rápido crescimento da instituição.
“Minha renúncia está assinada, pelo simples motivo de que o Banco Central do Paraguai precisa de tranquilidade para realizar seu trabalho”, afirmou Carvallo em entrevista coletiva em Assunção.
Segundo o Banco Central, a crise foi precedida pela identificação de empréstimos concedidos a empresas ligadas ao grupo controlador da instituição. A fiscalização também apontou deterioração dos indicadores de liquidez, necessidade de novas provisões e fragilidades na documentação de operações de crédito.
Os depósitos têm garantia de até 228,3 milhões de guaranis por titular, aproximadamente US$ 38 mil. O limite vale para a soma dos recursos de cada pessoa ou empresa na instituição, e não para cada conta individual. O prazo legal inicial para restituição é de até 15 dias corridos, podendo ser prorrogado por mais 15.
Quem possui valores acima desse limite poderá ter de aguardar a avaliação dos ativos e passivos do banco para saber quanto conseguirá recuperar. O Banco Central informou que buscará proteger também os saldos que ultrapassam a cobertura do fundo garantidor.
O Ministério Público paraguaio também abriu investigação sobre o caso, com uma equipe de cinco promotores para apurar possíveis irregularidades.
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da Redação