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“Jesus chorou.” (João 11:35). Duas palavras. Uma das passagens mais curtas da Bíblia e, talvez, uma das mais profundas. O Filho de Deus, diante da dor de quem amava, não escondeu suas lágrimas. Chorou por Lázaro, chorou pela humanidade e revelou que a verdadeira grandeza também se manifesta na compaixão.
Esse é o Jesus que o mundo precisa conhecer. Aquele que ensinou: “Deixai vir a mim os pequeninos” (Marcos 10:14). Que ordenou: “Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei” (João 13:34). Que prometeu: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32). E que, diante da violência, ensinou o perdão: “Amai os vossos inimigos” (Mateus 5:44).
É justamente esse Jesus, o das histórias de amor, fé, solidariedade e esperança, que agora parece precisar de autorização para entrar na sala das crianças, ou até mesmo em nossos lares, em nossas televisões.
O Ministério da Justiça elevou de livre para 12 anos a classificação indicativa do programa (Record Kids – Desenhos Bíblicos), recomendando sua exibição na televisão aberta a partir das 20 horas. A justificativa menciona violência, atos criminosos, drogas lícitas e preconceito. Mas que cenas, afinal, justificam colocar histórias bíblicas infantis nessa condição?
A contradição é ainda mais inquietante quando observamos a permissividade com que determinados conteúdos relacionados à sexualidade, à ideologia de gênero e à discussão sobre identidade sexual chegam ao universo infantil. Enquanto se demonstra rigor com narrativas bíblicas, é legítimo perguntar quais critérios são utilizados para avaliar conteúdos que abordam beijos entre pessoas do mesmo sexo, casamento homoafetivo e questões de identidade de gênero.
Não se trata de negar direitos a ninguém, nem de alimentar preconceitos. Trata-se de defender o direito das famílias de educar seus filhos, respeitando sua idade, sua formação e seus valores. Crianças precisam de proteção, não de antecipação de conflitos e debates próprios da maturidade. A escola deve ensinar, não substituir a família na formação moral dos filhos.
Classificar histórias de Jesus como inadequadas para menores de 12 anos, enquanto se relativizam os cuidados com a exposição infantil a temas tão delicados, revela, no mínimo, uma preocupante inversão de prioridades.
Jesus chorou diante da dor humana. Hoje, talvez, sejam os pais que tenham motivos para chorar diante de um Estado que parece esquecer que a infância precisa ser protegida.
Não queremos impor Jesus a ninguém. Queremos apenas que não tentem escondê-lo das nossas crianças.
Henrique Alves da Rocha
Coronel da Polícia Militar do Estado de Sergipe.













