Pai de Neymar é alvo de ação por compra de mansão de quase R$ 100 milhões
07/11/2026 às 10:50 Direito e Justiça
O empresário Neymar da Silva Santos, pai do jogador Neymar, é alvo de uma ação judicial de R$ 58,9 milhões movida pela empresa responsável pela venda de uma mansão avaliada em R$ 94,5 milhões, localizada no Residencial Tamboré 3, em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo.
O principal motivo da disputa é uma residência em Alphaville, avaliada em R$ 32 milhões, que foi utilizada como parte do pagamento pelo imóvel de luxo. A D.Y.T.T. Administradora de Imóveis, responsável pela negociação, afirma que a propriedade entregue pelo empresário apresenta problemas relacionados a obras consideradas irregulares. Por esse motivo, a empresa pretende substituir o recebimento do imóvel por um pagamento em dinheiro no mesmo valor.
Na primeira decisão envolvendo o caso, a juíza Bruna Lyrio Martins, da 5ª Vara Cível de Barueri, rejeitou o pedido de urgência apresentado pela empresa. A magistrada entendeu que, naquele momento, não havia elementos suficientes para justificar uma alteração imediata das condições estabelecidas no contrato. A disputa, entretanto, continua em andamento e ainda será julgada.
A intenção da D.Y.T.T. é evitar que a transferência definitiva da mansão localizada em Tamboré seja concluída antes de uma solução para o impasse envolvendo a residência de Alphaville.
Além dos R$ 32 milhões referentes ao imóvel utilizado como pagamento, a empresa também reivindica valores relacionados à retenção de recursos destinados à conclusão de obras e a uma cláusula contratual de perdas e danos. Segundo a alegação apresentada no processo, essa penalidade corresponderia a 20% do valor total da negociação.
Considerando que a mansão foi comercializada por R$ 94,5 milhões, o percentual representa R$ 18,9 milhões. Com a atualização dos valores e os demais pedidos incluídos na ação, o montante atribuído ao processo alcançou R$ 58,9 milhões.
Imóvel de Alphaville está no centro do conflito
De acordo com os documentos judiciais, a negociação teve início em maio de 2025, quando Neymar pai assinou um contrato para adquirir uma mansão no Residencial Tamboré 3, em Santana de Parnaíba. Inicialmente, o preço estabelecido era de R$ 95 milhões, mas o valor acabou sendo ajustado para R$ 94,5 milhões.
Uma parcela significativa do negócio seria quitada por meio da entrega de outro patrimônio. O empresário ofereceu uma residência de sua propriedade, situada no Residencial Alphaville 2, em Barueri, avaliada em R$ 32 milhões.
A modalidade utilizada na operação é conhecida juridicamente como dação em pagamento. Nesse tipo de acordo, o devedor entrega um bem diferente de dinheiro para quitar uma obrigação financeira, desde que exista concordância entre as partes.
O problema surgiu porque a propriedade de Alphaville já estava envolvida em uma disputa judicial quando foi apresentada como parte do pagamento.
A Associação Residencial Alphaville 2 havia recorrido à Justiça para contestar intervenções realizadas na residência que, segundo a entidade, desrespeitavam as normas estabelecidas pelo loteamento.
Em março de 2023, uma decisão judicial determinou que fossem realizadas modificações na propriedade para adequá-la às regras internas do residencial. O entendimento foi posteriormente mantido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), e a discussão chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde ainda existe um recurso pendente.
A D.Y.T.T. argumenta que Neymar pai assumiu contratualmente a responsabilidade pela situação jurídica e estrutural do imóvel, comprometendo-se a entregá-lo em condições regulares. Por essa interpretação, a empresa entende que não precisa aceitar a residência nas condições atuais.
A defesa do empresário, por outro lado, sustenta que a vendedora tinha conhecimento prévio dos problemas envolvendo a propriedade e, mesmo assim, concordou em prosseguir com a negociação.
O advogado de Neymar pai classificou a tentativa de substituir o imóvel por um pagamento de R$ 32 milhões como uma “pretensão absurda, despropositada e desproporcional”.
Em outra manifestação anexada ao processo, os representantes do empresário argumentaram que a dação em pagamento foi estabelecida de maneira livre e consensual, sem qualquer condição que vinculasse a validade do acordo à conclusão da ação judicial envolvendo a residência de Alphaville.
Empresa também cobra R$ 1,8 milhão por obras na mansão
A disputa judicial não se limita à residência oferecida como parte do pagamento. Outro ponto de divergência envolve aproximadamente R$ 2 milhões que ficaram temporariamente retidos para custear ajustes e serviços finais na mansão de Tamboré.
Segundo a D.Y.T.T., o contrato previa que os recursos seriam destinados às despesas necessárias para a conclusão das intervenções no imóvel. Após a realização dos serviços, eventual quantia restante deveria ser devolvida.
A empresa afirma, porém, que existem valores pendentes relacionados a essa obrigação. Com a aplicação de juros e atualização monetária, a cobrança correspondente chegou a aproximadamente R$ 1,8 milhão.
Entre os problemas apontados pela vendedora estão supostos danos em diferentes ambientes da mansão, incluindo áreas destinadas ao boliche, spa e cozinha, além de questões envolvendo pintura e acabamentos.
da Redação