Preso, ex-presidente do Paraguai é levado a quartel militar

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O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña, afastado do cargo após um processo de impeachment e colocado em prisão domiciliar na sexta-feira (6), foi transferido para uma instalação militar por motivos de segurança. A mudança ocorreu em meio a manifestações populares que exigiam sua transferência para uma unidade prisional em regime fechado.

Segundo informações do jornal paraguaio ABC Color, Peña deixou sua residência, onde cumpria prisão domiciliar por determinação do Ministério Público, por volta da meia-noite, no horário local. Ele foi encaminhado ao Regimento de Escolta Presidencial, unidade militar localizada na capital, Assunção.

A decisão de transferi-lo teria sido motivada por confrontos registrados entre policiais e manifestantes nas proximidades do imóvel onde o ex-presidente estava detido. Os protestos foram marcados por cobranças para que Peña deixasse a prisão domiciliar e fosse encaminhado a uma unidade de segurança máxima.

Pelo menos quatro caminhonetes participaram da operação de retirada do ex-presidente, que estava na residência localizada no bairro de Mbococayaty. Durante a saída do comboio, houve um tumulto entre policiais e manifestantes, deixando um agente ferido. As circunstâncias do episódio estão sendo investigadas.

Impeachment e acusações contra Santiago Peña

A saída de Peña da Presidência foi resultado de um processo de impeachment conduzido pelo Legislativo paraguaio. Na quinta-feira (5), a Câmara dos Deputados aprovou o afastamento do então chefe do Executivo, poucas horas depois de ele anunciar que renunciaria ao cargo. O Legislativo, entretanto, rejeitou a renúncia e decidiu dar continuidade ao processo de impeachment.

Posteriormente, o Senado confirmou o afastamento em uma votação que registrou 44 votos favoráveis e uma abstenção. Com isso, Peña deixou oficialmente o comando do país e passou a responder às acusações que motivaram a crise política.

O ex-presidente é investigado por suposto envolvimento no escândalo financeiro que resultou no fechamento do Ueno Bank e provocou repercussões em diferentes setores do Paraguai.

Crise do Ueno Bank provocou turbulência política

A instituição financeira encerrou suas atividades na terça-feira (3), depois que o Banco Central do Paraguai iniciou um procedimento de liquidação. A medida foi adotada após a identificação de problemas nos indicadores de solvência do banco, relacionados a empréstimos concedidos a empresas.

Peña, que chegou à Presidência em 2023, havia sido acionista do grupo controlador do Ueno Bank até março do ano passado. A instituição possuía aproximadamente 3 milhões de clientes e mantinha US$ 850 milhões (cerca de R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, incluindo recursos vinculados ao Instituto de Previdência Social.

Entre as acusações atribuídas ao ex-presidente estão possíveis conflitos de interesses, manipulação regulatória e desvio de recursos previdenciários, além de outras suspeitas de irregularidades. O caso ampliou a crise institucional no Paraguai e colocou sob questionamento as relações entre o setor financeiro e integrantes do antigo governo.

da Redação
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