O papagaio cutuca a onça

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Há determinadas ocasiões em que o silêncio é uma virtude diplomática, em outras, é uma questão elementar de sobrevivência, infelizmente, parece que essa distinção ainda não chegou aos gabinetes de algumas autoridades do BRASIL VARONIL.

Bastou Donald Trump sofrer uma derrota eleitoral nas eleições de meio de mandato, as famosas MIDTERMS, para que setores do governo brasileiro, incluíssem até manifestações atribuídas à primeira-dama JANJA.

O entusiasmo chegou a tal ponto que o próprio PRESIDENTE teria enxergado no episódio uma demonstração da influência brasileira sobre os destinos políticos dos ESTADOS UNIDOS e convenhamos, não é pouca coisa!

É o milagre da diplomacia por OSMOSE só faltando alguém anunciar que a inflação americana caiu por influência do PIX, que a dívida pública dos ESTADOS UNIDOS está sendo renegociada com o BNDES e que a Casa Branca já estuda substituir o DÓLAR pelo REAL, desde que o BANCO CENTRAL BRASILEIRO autorize.

É como comemorar a derrota de um síndico numa eleição para o conselho do condomínio e esquecer que ele ainda possui as chaves do prédio, controla a portaria, continua morando na cobertura e aqui entra uma questão que deveria preocupar os nossos diplomatas: Trump não é exatamente conhecido por sua disposição em engolir provocações com um sorriso diplomático.

A publicação de Janja, aproximando simbolicamente a ESTÁTUA DA LIBERDADE e o CRISTO REDENTOR, ambos fazendo o “L”, foi um dos episódios que alimentaram a comemoração brasileira, a imagem circulou amplamente e provocou reações, inclusive críticas de parlamentares da oposição.

Na linha do PERDIDO POR UM, PERDIDO POR MIL, suponhamos que Trump, cansado de ouvir as PAPAGAIADAS dos companheiros brasileiros, decida que já passou da hora de descarregar suas baterias sobre o arrogante PRESIDENTE e resolva realmente chutar o pau da barraca.

A China, evidentemente, poderia aparecer como alternativa para ampliar negócios, entretanto, substituir uma dependência por outra não é exatamente a definição de independência econômica.

Há também uma dimensão humana que não deveria ser esquecida. Milhares de brasileiros vivem, trabalham, estudam e mantêm negócios nos Estados Unidos e uma eventual deterioração das relações poderia complicar a cooperação consular, a mobilidade, os investimentos e outros assuntos de interesse dos cidadãos brasileiros.

Será que os discursos inflamados servirão para pagar salários, manter empregos e sustentar empresas prejudicadas? Ou teremos novamente aquele conhecido espetáculo nacional no qual os responsáveis pelas bravatas aparecem sorridentes nas fotografias, enquanto a população fica com a fatura?

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